22/05/2012

"A Lucíola moderna"


Capítulo 25


"A carta da Lua"

Arthur, a Lua que você conhecera morreu. E aqui está a triste historia dela. Mas antes de ler, quero que saiba que deixei de amá-lo, nem mesmo o trai.

Minha história é quase a repetição da historia da minha ancestral. Ela fora uma cortesã no Rio de Janeiro, após arrecadar dinheiro para sua irmã Anna (minha bisa avó) ela faleceu, mas eu sempre ouvi sua história e jurei a mim mesma que nunca teria uma vida iguala  dela.

Quando fiz 15 anos meus pais mudaram-se para São ´Paulo, onde dois de meus irmãos faleceram num acidente de carro. Nessa mesma época minha mãe entrou em depressão, meu pai tornou-se alcoólatra. Sobramos então apenas eu e minha irmã para nos cuidarmos.

No dia que Anna (minha irmã) descobriu que tinha câncer, eu entrei em desespero. Nossa família estava arruinada, minha mãe já não estava mais conosco e meu pai não era mais o mesmo.

Um dia, fui chorar no hall de entrada do meu prédio, precisava de dinheiro, mas ano sabia como arranjar. Nesse mesmo dia, meu vizinho ofereceu-me dinheiro e chamou-me para subir ao seu apartamento.

Eu fui, mesmo com medo, pois o dinheiro para o tratamento da Anna valia mais que tudo para mim. 

Chegando no apartamento dele, ele tentou agarrar-me, sai correndo. Mas ao chegar no térreo lembrei-me da Anna e do meu pai, e com isso corri de volta para o apartamento do nosso vizinho, o Sá.

Ele era um velho nojento, agarrou-me, tocou-me, me fez sentir nojo de mim mesma, mas eu não reclamei, chorei nem mesmo fugi, fiquei lá imaginando o dinheiro que receberia para cuidar da minha irmã e curar meu pai.

Nunca contei nada a ninguém, mas muitos meses depois, quando meu pai já estava bem,  e minha irmã sendo tratada, fui questionada sobre a origem do meu dinheiro.

Meu pai, com nojo de mim, expulsou-me de casa.

Foi assim que, de carona em carona, cheguei ao Rio de Janeiro, onde uma senhora me ofereceu moradia. Essa, cuidou de mim, mas, um ano depois, exigiu que eu servisse aos desejos do filho dela.

Sem opção, cedi às ordens dela, e foi assim que comecei a me prostituir. Juntei uma soma de dinheiro grande o suficiente para pagar a minha liberdade, e mudei-me para Europa.

Antes, porém, falsifiquei minha morte, assim, meu pai não choraria mais de vergonha por mim, mas sim pela filha morta que possuía.

Na Europa, enquanto lia os jornais do Brasil, descobri que minha irmã estava no jornal. Ela estava a procura de um doador compatível. Não pensei duas vezes, retornei ao Brasil, desmanchando o meu contrato como professora de português na Itália.

Chegando ao país, vi de fazer uma doação anônima para minha irmã, que era órfã. E prometi a mim mesma que me prostituiria por mais dois anos, assim, juntaria dinheiro para minha irmã e mudaria a vida dela.
Hoje, dia 5 de março, cumpro minha promessa e preparo-me para recebê-la em meu lar. Vou enviá-la à melhor escola do Rio, vou salvá-la do meu destino.

Por isso, aviso que a Lua que você conheceu morreu, Não existe mais aquela prostituta festeira, mas sim uma menina que vai cuidar da irmã e tentar esquecer que já amou alguém.

Arthur, todos que ficaram perto de mim sofreram, eu amo você demais, Por isso, não quero que me procure. Eu amo demais você para arriscar machucá-lo.

Um beijo,

Da sempre sua Lua Maria Blanco.

Continua..
Escrito por : Amanda


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