09/08/2012

"Before Dying"

Capitulo três


É claro que conseguimos entrar na boate. Nunca há garotas suficientes no sábado à noite e Mel tem um corpo incrível. Os seguranças ficaram babando por ela enquanto acenam para avançarmos até o começo da fila. Ela dá uma reboladinha para eles quando passamos pela porta, e seus olhos nos acompanham da entrada até o guarda-volumes.
- Tenham uma ótima noite, senhoritas! – dizem eles. Não precisamos nem pagar. A situação está totalmente dominada.
Depois de deixar os casacos no guarda-volumes, vamos até o bar e pegamos duas Cocas. Mel turbina a sua com rum de uma garrafinha que sempre leva na bolsa. Segundo ela, todos seus amigos da faculdade fazem isto, porque assim fica mais barato sair. Não beber é uma das proibições que vou respeitar, porque me lembra da radioterapia. Uma vez, entre dois tratamentos, fiquei embriagada com uma das misturas de bebidas do armário do meu pai, e agora as duas estão ligadas na minha mente. O álcool e o gosto da irradiação por todo meu corpo.
Vamos nos encostar no bar para inspecionar o local. Já está lotado, a pista da dança abarrotada de corpos. As luzes correm, piscando por peitos, bundas, pelo teto.
Mel Diz:
- Eu tenho camisinhas, alias. Se você precisar, está na minha bolsa. – Ela toca minha mão- Tá tudo bem?
- Tá.
- Não está surtando?
- Não.
Uma sala inteira zonza no sábado a noite é exatamente o que eu queria. Comecei minha lista, e Mel está comigo. Hoje à noite vou dar conta do primeiro item. Sexo. E não vou morrer antes de ter realizado todos os dez.
- Olha – diz Mel. - Que tal aquele ali? – Está apontando para um menino. Ele dança bem, balançando-se de olhos fechados como se fosse a única na pista, como se não precisasse de mais nada a não ser da musica. – Ele vem aqui toda semana. Não sei como consegue fumar maconha aqui dentro. Bonitinho, né?
- Não quero um doidão.
Mel franze o cenho e olha para mim.
- Que historia é essa?
- Se ele estiver louco, não vai se lembrar de mim. Também não quero ninguém bêbado.
Mel bateu com o copo em cima do bar.
- Espero que você não esteja com planos de se apaixonar. Não vai me dizer que isto está na sua lista?
- Não está não.
- Que bom, porque detesto lembrar isso a você, mas o tempo não está correndo a seu favor. Agora vamos logo com isso!
Ela me puxava na direção à pista de dança. Chegamos perto o suficiente para o Doidinho reparar em nós, depois começamos a dançar.
E é muito legal. É como fazer parte de uma tribo, todos se mexendo e respirando no mesmo ritmo. As pessoas olham, avaliam as outras. Ninguém pode tirar isso de mim. Estar aqui dançando neste sábado à noite, atraindo os olhares de um menino e usando o vestido vermelho de Mel. Algumas meninas nunca têm isso. Nem mesmo isso.
  Eu sei o que vai acontecer em seguida, porque tive tempo de sobra para ler e conheço todos os esquemas. O Doidinho vai chegar mais perto para nos avaliar. Mel não vai olhar para ele, mas eu, sim. Vou deixar meus olhos se demorarem um segundo a mais, e ele vai se inclinar na minha direção e perguntar meu nome. “Lua”, vou responder, e ele vai repetir –o “T” duro, o sibilar dos dois “esses”, o “a” cheio de esperança. Vou concordar com a cabeça para dizer que ele escutou certo, que estou feliz com o som adorável e novo do meu nome na sua boca. Aí ele vai estender os dois braços com as palmas para cima como quem diz:
Eu desisto, o que posso fazer diante de tamanha beleza?
Eu vou sorrir provocante, e olhar para o chão. Isso para ele vai ser o sinal de que ele pode tentar, de que eu não mordo, de que conheço as regras. Ele então vai me tomar nos braços e vamos dançar juntos, com aminha cabeça encostada no seu peito, escutando seu coração – o coração de um desconhecido.
     Mas não é isso que acontece. Eu me esqueci de três coisas. Esqueci que livros não são de verdade. Esqueci também que não tenho tempo para azaração. Mel se lembra. Ela é a terceira coisa que eu esqueci. E, nisso, ela parte para cima.
- Essa é minha amiga – grita ela para o Doidinho, mais alto do que a música. – O nome dela é Lua. Tenho certeza de que ela quer dar um tapa nesse seu baseado.
Ele sorri, passa o beque e olha para nós duas, e seu olhar se demora no comprimento dos cabelos de Mel
.- É maconha pura – sussurra Mel. O que quer que seja, bate com força no fundo da minha garganta, grosso e pungente. Me faz tossir, me deixa tonta. Passo para Mel, que dá um trago fundo e depois devolve para o menino.
    Nós três agora estamos unidos, e nos movemos juntos enquanto os graves sobem pulsando pelos nossos pés e entram no nosso sangue. Imagens caleidoscópicas cintilam nos telões das paredes. O baseado dá outra volta.
Não sei quanto tempo passa. Horas, talvez. Minutos. Sei que não devo parar e isso é tudo que sei. Se continuar dançando, os cantos escuros do salão não vão chegar mais perto, e o silêncio entre as músicas não vai ficar mais alto. Se continuar dançando, vou tornar a ver navios no mar, a sentir o gosto dos mariscos e caramujos, e a ouvir os rangidos que a neve dá quando você é o primeiro a pisar nela.
    Em determinado momento, Mel me passa outro baseado.
- Está feliz por ter vindo? – articula ela sem emitir som.Faço uma pausa para tragar e fico parada feito uma idiota durante um segundo a mais do que o necessário, esquecendo de me mexer. E então o feitiço se desfaz. Tento desesperadamente recuperar um pouco de entusiasmo, mas tenho a sensação de que há um abutre pousado em cima do meu peito. Mel, o Doidinho e todas as outras pessoas ali dançando parecem distantes e irreais, como um programa de TV. Não espero mais ser incluída.
- Volto em um segundo – digo a Mel.
No silêncio do banheiro, fico sentada na privada olhando para meus próprios joelhos. Se levantar só mais um pouquinho este vestido vermelho, posso ver minha barriga. Ainda tenho placas vermelhas na barriga. Nas coxas também. Por mais que eu passe creme, minha pele está seca como a de um lagarto. Marcas de agulhas antigas cobrem a parte interna dos meus braços.
Termino de fazer xixi, me limpo e torno a descer o vestido. Quando saio da cabine, Mel está esperando junto ao secador de mãos. Não a escutei entrar. Seus olhos estão mais escuros do que antes. Lavo as mãos bem devagar. Sei que ela está me olhando
- Ele tem um amigo – diz ela. – O amigo é mais gatinho, mas você pode ficar com ele, já que hoje é a sua noite especial. Eles se chamam Scott e Jake, e a gente está indo pra casa deles.
Seguro a beirada da pia e olho para meu rosto no espelho. Meus olhos parecem desconhecidos.
- Um dos personagens do Tweenies, aquele programa infantil, se chama Jake – digo.
- Escuta aqui – diz Mel, agora irritada –, você quer transar ou não quer?
  Uma garota na pia do meu lado olha para mim. Quero dizer a ela que não sou o que ela pensa. Que na verdade sou uma boa menina, e ela provavelmente iria gostar de mim. Mas não dá tempo.
Mel me arrasta para fora do banheiro e de volta em direção ao bar.
- Olha eles ali. O seu é aquele.
O menino para quem ela aponta está com as duas mãos espalmadas nas virilhas, os polegares presos nas passadeiras do cinto. Parece um caubói com olhos distantes. Não está nos vendo chegar, então eu cravo os pés no chão.
- Eu não vou conseguir!
- Vai, sim! Viva depressa morra cedo e seja um cadáver bonito!
- Não, Mel!
Meu rosto está quente. Pergunto-me se há um jeito de tomar algum ar ali dentro. Onde está a porta pela qual entramos?
Ela me olha com ar zangado.
- Você me pediu pra te trazer pra fazer isso! O que é que devo fazer agora?
- Nada. Não precisa fazer nada.
- Que ridícula você é! – Ela sacode a cabeça para mim, atravessa a pista de dança compasso firme e chega ao guarda-volumes. Sigo depressa atrás dele e a vejo entregar o tíquete do meu casaco.
- O que é que você está fazendo?
- Pegando o seu casaco. Vou arrumar um táxi pra você poder ir embora pra casa.
- Você não pode ir pra casa deles sozinha, Mel!
- Você que acha.
Ela abre a porta com um empurrão e olha para a rua. Agora que a fila acabou está tranqüilo do lado de fora, e não há nenhum táxi à vista. Na calçada, alguns pombos bicam uma embalagem de frango para viagem.
- Por favor, Mel, estou cansada. Você pode me levar pra casa?
Ela dá de ombros.
- Você está sempre cansada.
- Pára de ser tão horrível!
- Pára de ser tão chata!
- Eu não quero ir pra casa de um menino que eu não conheço. Qualquer coisa pode acontecer.
- Ótimo. Espero que sim, porque senão não vai acontecer nada mesmo.
Fico parada, pouco à vontade, subitamente assustada.
- Eu quero que seja perfeito, Mel.
 Se eu transar com um menino que nem conheço, vou ficar parecendo o quê? Uma galinha?
Ela se vira para mim, com os olhos chispando.
- Não, vai ficar parecendo viva. E se você entrar em um táxi e voltar pra casa pra junto do papai, vai ficar parecendo o quê?
 Imagino-me entrando na cama, respirando o ar morto do meu quarto a noite inteira,acordando de manhã sem nada estar diferente.O sorriso dela voltou.
- Vamos lá – diz ela. – Você pode liquidar a primeira coisa daquela sua porcaria de lista. Eu sei que você quer. – Seu sorriso é contagiante. – Diz sim, Lua. Por favor, diz sim!
- Sim.- Urru! – Ela agarra minha mão e me conduz de volta até a porta da boate.
– Agora manda um torpedo para o pai avisando que vai dormir na minha casa, e vamos apressar essa história.
 Pessoal para aqueles que não estão entendendo a história leia a sinopse, acho que esclarecera as duvidas de vocês. 
Twitter; @sophianossadiva e @bruna_barrosofc

8 comentários:

  1. Adorei a nova web Bruna Barros,se trata de um assunto muito legal, espero que ela não morra!Mudando de assunto Bruna, queria falar com você, te mandei no Hotmail um Email. Tenho uma proposta de emprego para você. Pois tenho acompanhado tuas fanfics, e você escreve perfeitamente bem. Espero que você aceita nossa proposta. É claro que se você não quiser aceitar agora,esperamos você completar 18 anos. Não sei exatamente sua idade mais acho que você ainda é de menor. Vi sua reportagem.Estava acompanhando seu blog. Espero sua resposta.
    Beijos de Natália

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    1. Se você não aceitar eu te mato menina.. Pois eu não tenho esse dom que tu tem. Gostei da web.
      Continue assim gúria. Tenho inveja de tu. Queria muito escrever assim que nem você.
      Larissa Andrade, sua leitora querida.

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    2. Pois é né, menina de sorte. Já to fazendo um abaixo assinado para ela e a Amanda ir escrever rebelde. Para mim as duas são otimas. Mas a Bruna sempre vem com histórias da realidade. E a Amanda com conto.. Isso me fascina.
      Ana . Eu que sou sua leitora querida.

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  2. Tou adorando essa historia!! Se trata de uma coisa difertente e gosto muito. Continua assim!=))

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  3. Ah poste mais, to adorando sua web. Ah Bruna é a GAROTA MAIS INVEJADA NESTA FACE DA TERRA. sério teu portugues é impecavel.Não se compara a Bruna com a Amanda né! Cada uma com suas qualidades. E se esqueceram da Nana que tbm escreve muito bem. Mas a Bruna sempre nos surpreendendo cada vez mais.
    Stefany.

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  4. Posta mais mais +++++++++++++++++++++++++++++++++++++
    Momento to com inveja da Brubs!
    Giovana

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  5. Estou adorando sua web.Ela aborda um assunto completamente diferente das outras que eu li e isso me fascina.Continue postando *-*

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