12/08/2012

"Contato Imediato"

                                                Capitulo 12
                                           

Doze

Eu estava furiosa com
 Arthur. E assim que tive certeza de que ele estava fora de vista, trancado no banheiro e com o chuveiro ligado, corri para a minha mala e puxei o meu pijama mais grosso, feito de flanela xadrez e que não revelava mais que meus pés, pescoço e pulsos. Não queria que Arthur tivesse motivos para me provocar mais do que ele já estava fazendo. O que ele fazia com uma frequência realmente assustadora. Coloquei meias para evitar que ele tivesse alguma tara com os meus pés também e me enrolei no edredom, encarando a porta com uma fúria que vinha do fundo do meu peito. 
Arthur achava muito engraçado ficar brincando comigo daquela maneira, o que eu não achava nem um pouco divertido. Eu não suportava perder o controle sobre meus pensamentos e desejos como acontecia cada vez que eu era abordada pelas egoístas pretensões de
 Arthur. 
Mas a quem eu queria enganar, eu sabia que o que estava me deixando furiosa não eram as investidas dele, e sim as minhas reações tão imprudentes a ele. O beijo ainda não saía de minha mente, assim como a alucinação que eu tivera no carro, e isso me deixava quente a ponto de querer tirar as meias e o pijama, mesmo estando em meio a novembro e seu frio de congelar veias.
 
Eu me odiava por estar tão derretida por
 Arthur. Eu havia prometido a mim mesma que não iria, nunca mais, nem ao menos ter pensamentos românticos com outros homens que não fossem Johnny Depp, apto a me dar apenas um relacionamento platônico. Nada que não fosse platônico estava fora de minha vida. E de repente surge um alien sabe-se lá de onde e perturba todos os meus sistemas e bagunça todos os meus planos. 
Com os olhos ainda fixos na porta do banheiro, temendo o momento em que ela seria aberta e revelasse
 Arthur, o sono e o cansaço foram me vencendo. Enquanto o sono vinha vagarosamente e abatia a raiva que eu estava sentindo, eu imaginava Arthur saindo do banheiro apenas com a toalha cobrindo a parte de baixo de seu corpo e com gotas de água quente escorrendo pelo seu corpo, enquanto ele caminhava quase em câmera lenta em direção à minha cama, deitando-se ao meu lado e segurando o meu cabelo com carinho, puxando minha cabeça para mais perto da dele e beijando-me. 
Claro que aquilo era parte de um sonho. Um sonho que não deveria se realizar. E conforme o cansaço me vencia com mais força, o meu sono foi ficando mais pesado e cheguei àquele estágio onde não consegue sonhar com nada a não ser um negro intenso em frente aos seus olhos, apenas te descansando.
 
Quando finalmente acordei, espreguicei-me com gosto, jamais me lembrando de ter ficado tão relaxada em minha vida. Imediatamente me lembrei de que tinha dormido na mesma cama que
 Arthur e virei-me depressa para o outro lado, dando de cara apenas com os lençóis amarrotados e frios. 
Arthur havia dormido ali, mas isto fora há um bom tempo. Sentei-me e cobri-me com o edredom até o pescoço. Afinal, nunca se sabia. Olhei ao redor e procurei por
 Arthur, aguçando os ouvidos para saber se ele estava no banheiro. Mas nada. Tudo o que eu pudera escutar fora a minha respiração. 
E com certeza se o meu quarto fosse ao lado do de
 Mel, eu estaria escutando umas batidas suspeitas na parede. Mel era escandalosa até mesmo quando estava... Bem, quando estava se relacionando intimamente com alguém. Céus! A que ponto eu chegara, depois de tanto tempo sem um relacionamento, eu nem ao menos conseguia pensar em outras pessoas aproveitando o que eu negara para a minha vida. 
Credo. Em pouco tempo eu estaria como a tia Wilhelmina. E até mesmo com teias de aranha nos locais íntimos de tão pouca utilização.
 
Coloquei uma perna para fora da cama, ainda procurando ouvir
 Arthur, mas provavelmente ele não estava mesmo no quarto. Um vento frio e incomodo entrava pela porta da varanda entreaberta, e andei até ela para fechá-la e achei ali a quem eu estava procurando. Não me desencostei do batente da porta, mas eu tinha certeza de que Arthur sabia que eu estava lá. Era como se algo em meu interior respondesse a todas as reações de Arthur. Como se estivéssemos ligados. O que era, com certeza, mais uma besteira da minha mente super imaginativa.
Arthur estava apoiado na barra de ferro que protegia a sacada olhando o céu nublado, onde o sol estava se pondo lentamente, tingindo o céu cinzento com matizes claras de vermelho, rosa, amarelo e laranja. O céu estava realmente lindo e um dos espetáculos mais bonitos do céu para mim era o pôr do sol. Que eu raramente via, presa na redação do jornal.
 Mel gostava mais do amanhecer, por isso raramente me convidava para assistir ao crepúsculo com ela. 
O cheiro de cidade grande que vinha do lado de fora, junto com o vento frio, me deu uma sensação gostosa e ao mesmo tempo uma certa saudade de Nova York. Apoiei-me mais ao batente e respirei fundo sentindo o cheiro bom da cidade entrar pelo meu nariz.
 Arthur olhou para trás, encarando-me e sorrindo, como se me apreciasse por alguns momentos. Não, ele não estava me apreciando. Era viagem da minha cabeça como sempre. 
Ele fez um gesto silencioso para o seu lado, que pela primeira vez desde que eu colocara meus olhos nele, não fora arrogante. Ele apenas pedia para que eu ficasse ao seu lado, admirando a vista. O que eu fiz parando ao seu lado, olhando firmemente para o céu admirável. Não estava perto demais de
 Arthur, preservando o meu autocontrole. Era mais fácil se eu não sentisse aquele cheiro tão diferente e intenso que vinha dele. 
A mão dele estava apoiada na barra bem próxima a minha, e por mais que eu soubesse que deveria tirá-la de lá, meu cérebro não repassou o comando para minhas articulações, deixando a minha mão no mesmo lugar. Pensando pelo lado positivo, era melhor tê-la ali imóvel do que se meu cérebro passasse a informação que minha mão deveria segurar a dele.
 
-
 Lua... – ele chamou, tirando a minha atenção do céu para o seu rosto. E esse foi o meu primeiro erro. Olhar em seus olhos tirava todo e qualquer controle que eu pudesse passar horas para levantar. – Como vocês, terráqueos, sabem quem serão seus companheiros futuramente? 
Estranhei a pergunta e me virei de costas, apoiando a parte de trás do meu corpo na barra de proteção. Parei pensando na possível resposta para a sua pergunta. Nós simplesmente não sabíamos, certo? Existiam algumas exceções que decidiam bem cedo com quem eles iriam se casar, com quem ficariam juntos para sempre. Bem, a maioria costumava escolher essa tal pessoa, assim como a mesma maioria se arrependia no final, ou em menos de dois meses.
 
- Bem, eu não sei explicar. Geralmente nossos companheiros futuros são pessoas por quem nos apaixonamos. E esse companheirismo dura enquanto a paixão durar. Seja meses ou décadas. Não posso responder direito a sua pergunta, eu nunca me apaixonei e sou solteira.
 
Arthur continuou apoiado contra a barra e agora olhava os postes de luz se acenderem um a um, em pontos isolados. Coisa que eu costumava adorar ver quando era criança.
 
- Vocês não... Casam por que seus pais decidiram que aquele seria o seu... Companheiro?
 
- Casamentos arranjados, você quer dizer? – ele fez que sim com a cabeça, sem olhar para mim, ainda distraído com o pôr do sol e o acender das luzes. – Algumas culturas ainda têm isso, mas na sua maioria, você mesmo quem escolhe com quem quer se casar. Seja por amor, dinheiro ou simplesmente poder.
 
- Amor. –
 Arthur repetiu como se saboreasse a palavra em seus lábios. E por alguns minutos desejei que ele me chamasse de amor para que eu aproveitasse a palavra vinda daqueles lábios exclusivamente para mim. 
Mas isso seria besteira.
 
- Sim. Amor. É quando você gosta demais de uma pessoa que o seu coração bate tão forte por ela que é capaz de sair pela sua garganta. Ela é tudo o que você sempre procurou em apenas uma pessoa. Às vezes é a pessoa que você mais odeia no mundo, as vezes é o seu melhor amigo... Nunca se sabe para quem o amor vai aparecer.
 
Parei por alguns segundos pensando no quão fracamente eu descrevera o amor. Mas como eu poderia descrever algo que eu não conhecia? Era como me pedir para descrever o solo de Marte. Eu não sabia nem ao menos se marte realmente tinha um solo.
 
- Em Airamidniv as coisas são um pouco diferentes.
 
Quando ele disse “Airamidniv” nem precisei pensar muito para saber que estávamos falando do planeta dele. Eu estava distraída pelos músculos de
 Arthur contra a camisa xadrez, mas nem por isso eu era burra. 
- Como assim, diferentes?
 
- Lá, os nossos companheiros são definidos no nascimento. Os nossos pais decidem com quem iremos nos casar para evitar que hajam complicações no futuro. – ele sorriu para o ar ao seu redor, parecendo um cara normal, não um alien metido. – E então você passa a vida inteira conhecendo a pessoa com quem você vai se casar e criando um vinculo íntimo-romântico com essa pessoa. Para nós o respeito mútuo e companheirismo valem como um... Amor para vocês.
 
Não poderia negar que respeito era valiosíssimo para um relacionamento, assim como companheirismo, mas não podia deixar de repudiar algo tão provinciano e feudal como casamentos arranjados. E assim, não pude reprimir uma careta ao pensar em me casar com alguém que eu não amava.
 
- Não é tão ruim depois de um tempo. O povo todo de Airamidniv já se acostumou com isso.
 
Ele falava como se casar com alguém a quem você não amava fosse tão comum como comer cachorro quente no jogo dos Giants. Comum.
 
- Vocês não amam?
 
- Nem todos. Amor é algo muito especial, que só pessoas especiais sentem. – aproximei-me dele e apoiei-me, assim como ele, na barra de ferro com o peito para o ar, sem me preocupar por estar de pijamas do lado de fora do quarto. – Só os fortes amam, é muito difícil amar alguém, é preciso cuidado para não magoar a quem se ama. Esses amantes são os chamados mraknis. Mraknis são as suas almas gêmeas. A pessoa por quem você sempre esperou. Mas elas são tão raras que o meu povo já desistiu de procurá-las.
 
- Como se fala amor na sua língua?
 
A pergunta saíra de meus lábios antes que eu pudesse contê-la. Eu nunca tinha conversado tanto tempo com
 Arthur sem sair pelo menos um insulto dos lábios de um ou de outro, e eu já considerava isto uma vitoria. 
- Nells, meu idioma se chama Nells. E amor se pronuncia “mra”.
 
Meus olhos se fixaram na boca de
 Arthur enquanto ele pronunciava aquela palavra nova para mim. Movi os lábios, repetindo-a sem som e ele assentiu com a cabeça, mostrando que eu estava pronunciando do modo correto. 
Antes que eu pudesse me dar conta,
 Arthur estava a minha frente e meu corpo estava prensado contra a grade. 
- O quão você é forte para o amor,
 Lua? 
Abaixei a cabeça, evitando o olhar de
 Arthur e procurando uma resposta para a sua pergunta. E então, o quão forte para o amor eu era? Provavelmente não o suficiente, se o fosse, já teria o amor que eu sempre esperara. Se eu fosse forte o suficiente, eu ainda acreditaria em finais felizes. Ou teria o meu príncipe encantado. Isso deveria ser um sinal, certo? Um sinal de que eu não era merecedora de um amor. 
- Não sou forte. Não estou pronta para amar.
 
- Mas e se acontecer?
 
Eu poderia mudar a pergunta. E se estivesse acontecendo? Eu não poderia negar que meu interesse por
 Arthur estava cada vez maior e se tornando o que eu me lembrava ser aquela atração alucinada que eu sentia pelos caras no colegial. E que eu tolamente achava que era amor. Mas agora era mais forte, mais doloroso. Mas isso deveria ter ligação com o fato de eu estar mais velha, mais experiente e por isso a sensação ser mais forte. 
- E se você amar alguém?
 
Eu não estava preparada para uma pergunta como aquela. Eu nunca tinha pensado no que aconteceria se eu quebrasse a minha promessa e me apaixonasse. Com certeza eu partiria o meu coração mais uma vez. Eu nunca começava um relacionamento sem sair machucada no fim, e as vezes nem ao menos precisava começar um relacionamentos para sair ferida.
 
- Isso não vai acontecer.
 
Afastei-me de
 Arthur e andei alguns passos para perto das plantas que ficavam em um dos cantos da pequena varanda. Arthur acompanhou-me e olhou em meus olhos enquanto fazia outra pergunta que mexeu comigo. 
- Mas e se acontecesse,
 Lua? – a voz dele era insistente e ele parecia querer realmente saber o que passava em meu coração. 
- Ok. Vamos falar de modo completamente hipotético. Se eu me apaixonasse, eu não seria correspondida.
 
- Como pode ter tanta certeza?
 
- Eu sou uma daquelas pessoas sem um par. Uma daquelas que não tem mraknis.
 
Mais uma vez, dei a volta por
 Arthur e cheguei para o outro lado da varanda, próximo a porta agora. Não era seguro para mim mesma que eu ficasse tão perto de Arthur. 
- E se nesse universo enorme você achar uma?
 
Meu Deus! Por que ele queria tanto saber? Eu não acharia uma e já estava acostumada com esse fato. Ficar remoendo ele milhares de vezes, apenas me deixaria pior por saber que não encontraria alguém por quem seus olhos brilhassem por mim, como os de
 Chay brilhavam por Mel. 
E por alguns segundos odiei a mim mesma por invejar a minha amiga por ter um amor verdadeiro.
 
- E se você,
 Arthur, encontrar sua mrakni nesse universo enorme? 
Ele se aproximou de mim e dessa vez eu não tive para onde fugir. Minhas costas estavam contra a porta de vidro que dava acesso ao quarto, e as mãos de
 Arthur, uma de cada lado de minha cabeça, estavam me atrapalhando na tentativa de fugir. Eu apoiei a cabeça contra o vidro frio e sorri enquanto Arthur deliciosamente descia a cabeça até perto da minha. 
- Eu vou... Eu não posso ter uma mrakni,
 Lua. 
A cabeça dele se colou à minha e nossas respirações se misturavam. Eu nem ao menos conseguia pensar em possíveis motivos para ele não poder ter uma mrakni, não consegui pensar no quanto ele estava diferente do
 Arthur que eu conhecia, menos ainda em tentar entender o que naquele Arthur sincero e simples tinha que me deixava tão desejosa de abraçá-lo e não soltar mais. 
A boca dele tocou minha testa e eu não pude evitar que meu corpo estremecesse ao sentir a sua boca quente contra o meu rosto. E enquanto a sua boca descia pela lateral de meu rosto, parando a milímetros da minha boca eu tremia de desejo, temendo que meu autocontrole se desintegrasse ainda mais e que eu o agarrasse loucamente.
 
- E por que?
 
Os lábios dele tocaram os meus e se afastaram em seguida, como se ele apenas quisesse me provocar. Sua boca se moveu em cima da minha pronunciando sem som uma palavra que eu não entendia, devia ser alguma coisa em nells, que eu nem ao menos imaginava o que deveria significar.
 
- Mra T Nhé. – ele disse em voz alta.
 
- Esse é o motivo de você não poder ter uma mrakni?
 
Ele sorriu e puxou-me para seus braços, surpreendendo-me quando eu não tive a mínima vontade de lutar contra o corpo dele, que se moldava contra o meu de uma maneira deliciosamente linda. Eu nem ao menos me importei por ele ignorar minha pergunta sem nem ao menos se envergonhar.
 
A boca dele estava na minha, dando leves beijos enquanto eu abria a boca permitindo que nosso beijo ficava ainda mais profundo e que nossos corpos se aquecessem, querendo mais e mais. Ele prensou meu corpo contra a porta de vidro e o contraste entre o gelado do vidro e o calor de seu corpo, me deixou enlouquecida.
 
Mas antes que eu pudesse me agarrar mais a
 Arthur, sem pensar nas consequências, a porta do quarto se abriu de uma vez e nós nos separamos de uma vez ficando um em cada lado da varanda, de frente para a porta de acesso ao quarto e apoiados contra a barra de segurança. 
Mel apareceu na porta da varanda dando uma olhada para os dois lados e de repente passou a rir como uma maluca.
 
- Gente, eu juro que pensei que vocês estavam se pegando no banheiro!
 
Eu dei uma olhada séria para ela que nós duas já conhecíamos. O olhar que significava que eu mataria ela em breve.
 
- Não, eu não estava me pegando com o
 Arthur. 
Se aquilo que eu estava fazendo antes dela chegar não era se pegar, então eu não sabia mais o que era. E tinha certeza de que ela sabia o que havia acontecido, não apenas pelo sorriso de “Ok, eu acredito” que ela estampava, mas pelo rubor em meu rosto que me denunciava cruelmente. De repente
 Mel ficou séria e me olhou com uma sobrancelha erguida. 
- Estamos com problemas sérios.
 
Eu sabia que estava com problemas.
 Arthur estava quase me beijando e minhas pernas ainda estavam trêmulas. Meu maior problema no momento era me esborrachar no chão, já que minhas pernas não aguentariam o meu peso, tremendo daquela forma. 
- O que houve? – perguntou
 Arthur. Ele fazia uma expressão completamente ameaçadora para Mel, que ainda fazia o seu suspense, e me dei conta de que o velho Arthur havia voltado. 
- Eu liguei para Jane Lynn e ela me deu uma noticia grave e preocupante.
 
- Como assim?
 
- Quem é Jane Lynn? – perguntei depois de
 Arthur. 
Ela coçou a cabeça olhando repreensivamente para mim. Ué? Eu não tinha a mínima idéia de quem pudesse ser essa mulher com esse nome tão “olá eu vim do Texas”.
 
- Você com certeza não presta atenção em nada do que eu digo,
 Lua Blanco – ela ralhou. – Jane Lynn é a funcionária do turno da tarde na loja. Mas o principal da história não é quem Jane Lynn é, e sim o que houve. – eu e Arthur nos focamos em Mel esperando o resto da história. – A ARE esteve em meu apartamento e no seu. Assim como em nossos empregos mais uma vez. Ao que parece o exame ficou pronto antes do que pensávamos. Conversaram com Jane Lynn e ela foi reticente e disse que tínhamos apenas ido viajar. Não dizendo pra onde. 
- Ainda bem.
 
- Não. Porque eles fizeram uma associação mental e descobriram que estávamos indo para a Capital Nacional dos ETs.
 
Eu parei por alguns segundos tentando me dar conta de onde diabos poderia ser a capital nacional dos ETs, quando eu nem ao menos sabia que eles tinham uma. Mas antes que eu pudesse passar muito tempo pensando,
 Mel me respondeu, o que alarmou-me mais do que eu poderia esperar. 
- Ohio? Eles sabem que estamos aqui? Meu Deus
 
Arthur correu para dentro e jogou a mochila para mim, colocando os sapatos apressadamente. Eu entendi de primeira o que ele queria dizer. Tinhamos que sair de Ohio o mais depressa possível. Chegar em Indiana até o final da noite era a nossa principal meta naquele instante.
 
Coloquei as roupas que eu havia deixado no banheiro quando fui tomar banho, dentro da mochila, pela primeira vez sem me preocupar em dobrá-las e tranquei a porta para trocar o pijama na velocidade da luz.
 
De dentro do banheiro, eu ainda gritava recomendações para
 Mel. Ela e Chay juntos deveriam fechar a conta do hotel enquanto eu e Arthur ligaríamos o carro, colocaríamos as nossas bagagens dentro do mesmo e compraríamos algumas coisas para comermos durante a viagem, já que não teríamos tempo para comer. 
- Você dirige agora. –
 Mel gritou do lado de fora. 
Já vestida com minha calça jeans grossa e com um suéter creme, acompanhado de um casaco preto bem grosso que tampava com glória meu pescoço, impedindo que
 Arthur o visse, saí do banheiro me perguntando por que eu teria que dirigir naquele momento. Eu já havia chego ao hotel dirigindo, eu estava mais cansada da estrada do que Mel. Sem contar que pensar em dirigir, apenas, me lembrava de minha alucinação. E se eu tivesse outra como aquela? 
- Por que eu?
 
- Porque... – ela ficou vermelha e abriu a porta, pronta para sair, me deixando curiosa. – Porque você tem mais experiência e gosto para acelerações malucas e... Bem, digamos que eu não descansei muito nessas ultimas horas.
 
Eu ri alto e ela ficou ainda mais vermelha por ver
 Arthur sorrindo a ela, e balançando a cabeça como se não acreditasse que ela tinha dito algo como aquilo. 
- Bem, vejo vocês no carro.
 
Eu ri mais alto e ela mostrou a língua para mim enquanto fechava a porta do quarto, quase correndo.
 
Arrumei a cama, apressada e terminei de colocar o resto de coisas que estavam ali por cima, dentro da mochila. Não demorou muito e encarei
 Arthur para saber se ele já estava pronto para partir. 
- Sabia que eu prefiro quando as mulheres não pensam que estão numa competição de quem consegue colocar mais roupas?
 
- O que tenho a ver com isso,
 Arthur? – perguntei já pressentindo que Arthur sairia com alguma de suas velhas cantadas que me faziam crer que ele estava de volta ao seu normal. E que aquele momento em que eu estava com ele na varanda fora apenas um sonho. E aquilo era o real. 
- Que eu prefiro que você tire esse monte de roupas, fique nua, se ajoelhe diante de mim e peça o que eu sei que você quer de mim.
 
Eu me arrepiei por inteiro com a sua insinuação e mesmo querendo me preocupar unicamente com a ARE atrás de nós como uma maluca, tudo o que eu conseguia pensar era que eu realmente queria me ajoelhar aos pés de
 Arthur e pedir para que ele me amasse com toda a sua força e me fizesse crer que o que eu sentia por ele era apenas uma atração sexual, que eu não estava me apaixonando por ele. 
- Pedirei para você morrer, não é, querido? Se liga,
 Arthur. 
Sai do quarto e bati a porta, me encaminhando para o elevador, sem nem ao menos ligar se
 Arthur estava ou não vindo atrás de mim. 
Eu tinha que me focar em fugir de Ohio logo. Chegar em Indiana o mais rápido possível. Colocar aqueles dois dentro da nave e despachá-los de uma vez.
 
Mas ao contrário disso, tudo o que eu conseguia fazer era ficar mais e mais tremula imaginando o que aconteceria se eu realmente me ajoelhasse nos pés dele e pedisse para que ele me amasse.
 
Apertei o botão do térreo com força e fúria e forcei minha mente a se focar em fugir e correr, em naves e voltas para Nova York.
 
E então tive que bater a cabeça na parede espelhada do elevador para tentar fazer aquela sensação parar. Eu odiava senti-la por que no fim, ela sempre estava certa, provando o que eu negava a mim mesma com toda a força.
 
E essa sensação dizia que quando
 Arthur entrasse naquela nave, eu choraria o meu coração fora. Porque eu já sabia, que naquele momento mesmo, enquanto os mostradores mudavam do terceiro para o segundo andar, que eu estava perdidamente apaixonada por Arthur. 
Mas eu faria o possível para ignorar o que a sensação me dizia. Para ignorar qualquer outra sensação. Para ignorar a
 Arthur e esquecer que eu mesma existia. 
E no momento, não tive outra coisa a fazer senão amaldiçoar aquela maldita nave por ter caído naquele momento, naquele lugar.
 


 

                                                                                                            
                                                                                                             Direitos Autoriais: Elle S.

13 comentários:

  1. posta maiiiiiisssssss
    ++++++++++++++++++
    ai eu to amando e lua agarra logo esse alien gostosão

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  2. posta bruh ta tao fofo

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  3. Eu preciso urgentemente de mais ! Sério !

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  4. eu estou adorando a web novela, posta mais, ta.

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  5. posta mais hoje...ncessito de mais hoje
    BY:Manu

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  6. mais maismaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaisssssssssss hojjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjeeeeeeeeeeee
    por favor

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    1. mais mais mais por fevor,,,,, posta tbm "A Bela e a Fera" po rfavor posta mais "contato imediato"

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  7. Posta mais por favor,estou muito curiosa!

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  8. POSTA MMMMMMMMMMMMAAAAAAAAAAAAAAAAAAAIIIIIIIIIIIIIIIIISSSSSSSSSSSSSSSSSS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!Por favor por favor por favor por favor por favor por favor por favor por favor por favor por favor! ESTOU APAIXONADA POR ESTÁ WEB!

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  9. POSTA mais pf! estou endoidando de tanta curiosidade!

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  10. por favor nescessito de mais capitulos! AMO MTO ESTÁ WEB E ACHO ELA MTO LINDA!

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  11. ESTÁ WEB É PERFEITA! posta mais, quero ver se ela vai deixar o arthur ir embora ou vai com ele!

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