14/08/2012

"Contato Imediato"

                                              Capitulo 13
                   

Treze 

Não precisei esperar muito no carro, já que logo
 Arthur, Chay e Mel apareceram. Os pacotes de salgadinhos e os refrigerantes de cola já estavam no banco de trás e eu tinha escondido alguns chocolates perto do meu banco para que ninguém os pegasse. Não era egoísmo, mas da outra vez, eu mal comera os chocolates. Não sabia que alienígenas gostassem tanto de doces, mas agora que eu sabia, tinha sido precavida e comprado umas barras de Hershey’s extras. 
Logo
 Arthur acomodou-se ao meu lado e sorriu para mim com o seu jeito pretensioso e arrogante que me fez perguntar se a conversa que tivéramos no hotel era um sonho meu ou não. O que provavelmente era. Os olhos de Arthur eram a prova disso. Eles me olhavam com aquele fogo de sedução certa. E exatamente por isso desviei minhas íris das dele e passei a encarar o volante e o marcador de combustível, enquanto esperava Mel e Chay terminarem de se acomodar e colocar o cinto no banco de trás. 
- Estou com tanto sono! – ela comentou enquanto eu colocava o carro em movimento e já estávamos saindo do estacionamento do hotel. Dei uma olhada estranha para
 Mel pelo retrovisor, me perguntando por que diabos ela estaria cansada. Caramba! Eu havia dormido mais de três horas e não me sentia tão cansada assim, apesar de precisar de mais do que isso.
- Não conseguiu dormir, amiga? – perguntei inocentemente, tendo a resposta em seguida com
 Mel se inclinando sobre o meu banco e falando perto da minha orelha. 
- Experimente passar uma noite com um alien e me diga se você vai conseguir ao menos respirar. Nunca fui do tipo que pede arrego, mas
 Chay é capaz disso. 
Tentei reprimir uma risada, mas foi praticamente impossível, assim como também não consegui não olhar para
 Chay com um sorriso vitorioso no banco de trás. Aqueles dois tinham a química exata que dava aos amantes o final feliz. E assim, não consegui nem ao menos tentar parar o meu olhar, que imediatamente partiu para encarar Arthur, que sorria com o mesmo ar vitorioso para Chay, como se parabenizasse o amigo. Era mais que obvio que eles estavam escutando a nossa conversa e nem ao menos disfarçavam que o estavam fazendo. 
- Se você não fosse tão lerda e agarrasse o
 Arthur logo, eu te garanto que ia curar de uma vez esse seu mal humor e ia te deixar bem mais relaxada. Pra que massagista e sessões de ioga, quando se pode relaxar nos braços de um cara como Arthur? 
E com aquela,
 Mel conseguiu me deixar vermelha e me fez brecar o carro de uma vez, tendo que escutar dois ou três motoristas me xingando de barbeira, mas eu estava pouco me importando para o trânsito ou se eu havia feito alguém bater em minha traseira. Tudo o que passava na minha cabeça era a voz de Mel ecoando em minha mente como a merda de um coro maldito. 
- Ei! Calma,
 Lua! Vamos pelo menos chegar a Indiana primeiro. Aí você pode fazer o que quiser, colega. – ela riu. 
Eu jurava que não tinha achado nem a mínima graça no que ela havia dito, mas o que eu estava achando ainda menos graça, era o olhar de
 Arthur sobre mim, com um misto de zombaria e desejo que me deixou mais atordoada do que eu já estava e me impossibilitou de conseguir ao menos trocar de marcha para colocar o carro em movimento. 
- O que houve,
 Lua? – Arthur perguntou com uma voz inocente que eu sabia que era apenas gozação. – Você está tendo alucinações de novo? Já disse que coisas assim são perigosas... 
- Eu estou bem. Está tudo bem. Agora, por favor, será que dá pra todo mundo calar a boca e deixar eu dirigir a merda desse carro?
 
Imediatamente a falação parou, mas eu ainda podia escutar risadinhas vindas de todos os lados. Especialmente do direito, onde
 Arthur estava sentado, mas a sua risada, diferente das outras, não era de zombaria, ela de superioridade, como se ele tivesse conhecimento de todo o turbilhão de sensações que ele me fazia sentir e se alegrasse com isso. 
Lembrava-me de que quando eu era pequena, eu morria de medo de ETs porque eu acreditava que eles tinham poderes ocultos e que vinham para a Terra apenas para perturbar os humanos. Tudo bem que eu também jurava que eles eram verdes, estranhos e suas caras pareciam de corujas sorridentes. Eu era uma criança, tinha o direito de pensar essas coisas.Arthur tinha me provado que ETs não eram verdes, nem que tinham cara de coruja, na verdade, a sua cara era muito linda pra ser real.
 
Mas uma coisa ainda fazia parte de minha certeza de vida: eles vinham perturbar os humanos. E essa era a diversão preferida de
 Arthur. 
Depois de me desculpar com os motoristas atrás de mim, continuei a rua que saía na autoestrada, e assim que tive certeza de que estava na estrada, deixei que o meu apelido de “pé de chumbo” dissesse tudo por mim. Estávamos andando a 150 km/h, e quando passávamos por algum radar, eu diminuía o suficiente para não receber uma multa, e em seguida pisava no acelerador com força novamente.
 
Quando as placas da fronteira de Indiana apareceram, eu pressionei um pouco mais o acelerador, além do que eu já pressionava. Chegar a Wyoming deveria ser a única coisa em minha cabeça. Dei uma discreta olhada para trás e vi que
 Mel já havia dormido no ombro de Chay, que simplesmente olhava para frente distraído. Arthur, com a cabeça encostada na janela fria, descansava também, o que provava que ele não havia dormido o suficiente no hotel. 
- Hey,
 Chay. – eu chamei com a voz baixa para não acordar nenhum dos dois e Chay sorriu para mim, me permitindo continuar com o que eu diria. 
Pela primeira vez desde que eu conhecia
 Mel, o rádio estava desligado e achei isso até melhor. Na verdade, eu não estava pensando apenas em chegar em Wyoming o mais rápido possível. Eu estava repassando em minha mente toda a conversa que havia tido com Arthur mais cedo, e enquanto fazia isso, surgiram várias perguntas em minha cabeça que eu preferiria cortar meu braço fora a fazê-las a Arthur. 
- Você e
 Arthur... Bem... – eu limpei a garganta que arranhava desesperadoramente e continuei. – Ele me explicou sobre as mraknis e etc e... 
- Você quer saber sobre as nossas noivas, certo?
 
E naquele momento, percebi que
 Chay tinha a mesma mania sobrenatural de Arthur de parecer ler os meus pensamentos. 
Assenti com a cabeça enquanto a estrada sendo engolfada pela luz pálida e fria da lua de outono atraía a minha atenção. Eu queria desesperadamente entender o que era aquele sentimento que martelava meu peito apenas de pensar que
 Arthur poderia ter uma noiva. Era irracional eu ao menos me preocupar com isso. Não tinha nenhum interesse nele, não deveria saber nada de sua vida, e se soubesse o mínimo possível, ele iria apagar minha mente quando chegássemos a Wyoming, mesmo. 
- Bem, todos em Airamidniv têm noivos ou noivas, desde os bebês até os idosos. Companheiras, como chamamos. – eu assenti com os olhos fixos na estrada, evitando olhar para o meu lado direito, como eu tanto desejava.
 Chay suspirou frustradamente e levei meus olhos ao retrovisor, onde podia vê-lo acariciando os cabelos de Mel com todo o cuidado, e eu senti algo dentro de mim se aquecer. Era tão bom que minha melhor amiga finalmente encontrara alguém que a amasse e que realmente se importasse com ela. – Eu tenho uma noiva, Lua, ela é uma pessoa maravilhosa, especial, mas eu não posso voltar pra ela. Não quando eu encontrei a minha mrakni na Terra. – ele sorriu contente. – Eu pensei que não era forte o suficiente para amar, eu era simplesmente um assistente de viagens, o que eu poderia querer da vida? E de repente eu me vejo caído num planeta estranho e, ao invés de encontrar minha mrakni, sou encontrado por ela. 
Eu ri, sentindo algumas lágrimas começarem a nublar meus olhos, me permitindo perguntar por que diabos eu iria começar a chorar.
 
Ficamos alguns minutos em silêncio, até
 Chay voltar a falar e secretamente desejei que ele nunca tivesse me dito aquilo. 
- Para mim, é bem mais fácil lidar com mraknis que para
 Arthur. Eu deixaria Airamidniv e tudo relacionado a ela por Mel. Eu não tenho muito o que perder por lá. Mas Arthur tem. Ele é o chefe das expedições interplanetárias e o pai de sua noiva é o naul de Airamidniv. Por mais que Arthur ame sua mrakni, ele não deixaria tudo isso para trás. A sua família inteira serviu nas expedições interplanetárias, e em anos, Arthur é o primeiro chefe. Estão todos muito orgulhosos dele, e ficarão ainda mais quando ele se casar e se tornar o subnaul. 
Antes que eu pudesse conter a minha boca enorme que eu estava desconfiada que deveria ser do tamanho de um buraco negro bem denso, eu acabei perguntando o que era um naul. Aquilo era algo que não deveria ter a mínima importância para mim, mas inexplicavelmente tinha.
 
- Nauls são o que vocês chamam de chefes de governo aqui. Acho que a palavra que vocês usam para isso aqui é rei.
 
Ah, que legal!
 Arthur seria uma espécie de vice-rei de sei lá onde no meio do espaço. E mais uma vez a minha ironia era o que me ajudava a manter a racionalidade. Eu não queria entender meus sentimentos que estavam em uma confusão total dentro de mim. 
- Em breve chegaremos a Wyoming e tudo isso vai acabar.
 
- Bem? –
 Chay perguntou, me fazendo questionar a mesma coisa. Tudo acabaria bem quando chegássemos à nave mãe e eles voltassem a Airamidniv? 
- Provavelmente. Vocês vão apagar nossas memórias. – e então, para tornar o clima mais leve antes que eu tivesse que parar o carro, chorando como uma completa idiota sem nem ao menos saber o motivo. Na verdade, sabendo, mas não querendo admitir, completei: - E quando fizerem isso, por favor, apaguem a época do colegial também. Prefiro esquecer que eu usava aquele corte de cabelo.
 
Nós rimos, mas eu não estava com a mínima vontade de fazê-lo, tudo o que eu queria era chorar, então
 Chay deitou sua cabeça contra a janela, deixando bem claro para nós dois que aquela conversa estava acabada. E era melhor assim. Não queria tocar naquele assunto mais. Nem pensar nele. 
E enquanto
 Chay se acomodava para dormir, eu liguei o rádio em qualquer estação, num volume bem baixo para que não acordasse ninguém e tentei desesperadamente manter meu foco na estrada e na música que tocava, e não no fluxo dos meus pensamentos e na vontade de chorar que dominava meu peito. 
Outra placa de sinalização ficava para trás quando identifiquei a introdução da música que começava a tocar. Céus! Até o radio estava contra mim? A música era antiga e falava exatamente o que eu sabia sobre buscar finais felizes e estar tão perto e longe ao mesmo tempo.
 
E por mais que eu não quisesse que elas me tomassem de assalto, as lágrimas começaram a escorrer com força pelo meu rosto enquanto eu tentava desesperadamente não fungar alto demais. Deus! Por favor, que eu estivesse enganada, que eu estivesse interpretando meus sentimentos erroneamente. O que eu poderia querer com
 Arthur? Não havia jeito de ficarmos juntos, então por que meu coração insistia em querer Arthur? Era errado, na verdade, mais que errado. Era impossível. Ele era um alien, e um alien importante, fosse lá o que isso significasse, e nunca em nenhuma vida poderia ficar com uma terráquea perdedora como eu. 
A estrada começou a se embaçar diante dos meus olhos e decidi que era melhor que eu parasse o carro antes de um acidente. Por que eu estava chorando? Era irracional desejar algo que você sabe que não pode ser seu. E ainda por cima desejar um alien. O que eu tinha na cabeça?
 
Apoiei minha cabeça no volante enquanto os soluços vinham cada vez mais fortes e incontroláveis, sorte que baixos. Minha cabeça já começava a doer por causa da força do meu pranto e com isso não consegui ver que eu não era mais a única acordada dentro do carro.
 
A mão de
 Mel estava em meu ombro, enquanto ela estava meio encaixada no espaço entre os dois bancos da frente. Eu conhecia minha amiga, sabia que pelo menos enquanto eu não parasse de chorar ela não perguntaria nada. Mas e quando eu parasse? O que eu responderia? Que eu achava que estava apaixonada por um alien que me desprezava e amava me deixar furiosa? Que eu não sabia quando e como eu começara gostar dele, na realidade, ainda tinha medo de admitir a mim mesma que gostava, mas que não poderia ficar com ele, nem mesmo se quiséssemos? Como eu explicaria que eu estava me apaixonando por um cara que... Simplesmente não era para mim? 
Eu ergui os olhos pra minha melhor amiga e ela sorriu para mim com um ar pesaroso. E então
 Arthur estava errado, ele e toda Airamidniv estavam errados. Apenas quem era forte podia amar? Errado, errado e mil vezes errado. Eu era uma covarde, uma fraca e estava desesperadamente querendo me enganar, mas o que eu poderia fazer? Parecia que era verdade. E se fosse? A dúvida nublou meus pensamentos e aumentou meu choro. 
A mão de
 Mel apertou o meu ombro com um pouco mais de força para que eu finalmente a encarasse, e quando o fiz, ela limpou as lágrimas do meu rosto como costumava fazer quando éramos crianças, e eu suspirei quando ela me puxou para o meio entre os bancos e me abraçou meio desajeitadamente. Eu me sentia bem no abraço da minha amiga, me dava uma gostosa sensação de estar em casa, e, naquele momento, senti que era tudo o que eu precisava. Ter Mel me abraçando me dava conta de que mesmo que não houvesse um futuro bom, ela sempre estaria ali no meu presente, tomando conta de mim, assim como eu tomava dela. 
- Não te vejo chorar assim desde... – ela parou pensando sobre a última vez que ela me vira chorar daquela maneira. E era difícil lembrar. – Desde que aquele espinho entrou no seu pé num dos acampamentos das Escoteiras do Amanhã.
 
Eu me lembrava daquele episódio. Nunca tinha sentido tanta dor em toda a minha vida. Até aquele momento. O meu coração apertava tão forte que por alguns minutos eu pensei que ele fosse se autoexplodir. O que não seria uma má idéia. Tudo o que tirasse
 Arthur do meu coração seria válido naquele momento. 
- O que houve,
 Lua? – ela disse um pouco mais alto, mas fiz um sinal com a mão nos lábios para que ela falasse mais baixo para que não acordasse os garotos. Eu simplesmente odiaria que Arthur acordasse e me visse chorando daquela forma. Era mais que claro que assim que ele visse minhas lágrimas, ele realizaria aquela mágica estranha e saberia o que eu estava pensando. Era estranho demais, mas parecia que Arthur sempre sabia o que estava passando em minha cabeça. E eu não queria, de jeito nenhum, que ele soubesse que eu estava apaixonada, ou pelo menos bem perto disso, por ele. 
- Eu estou bem,
 Mel. Só estou um pouco cansada, mas isso é normal. Passamos por algumas emoções fortes nesses últimos dias e devem ser apenas meus nervos extravasando. 
- Você sabe exatamente que não é isso.
 
Deus! Eu nunca, em milênios, conseguiria enganar ou mentir para
 Mel, ela sabia exatamente o que ia dentro de mim, além de conhecer cada inflexão da minha voz, cada sussurro, cada sorriso. E era mais que óbvio que Mel sabia o que estava em meu coração naquele momento. Eu não precisaria me explicar. Mel já deveria saber. 
Dei uma última fungada e decidi que se escondesse de mim mesma que estava apaixonada, se mentisse para o meu coração que eu amava
 Arthur, eu com certeza conseguiria com queMel não soubesse nada, ou pelo menos não me importasse com isso. 
Ou não.
 Mel sempre se importava com qualquer coisa que dissesse respeito a mim, assim como eu sempre me importava com Mel. 
- Pronto. Já passou, vou dirigir por mais alguns quilômetros e pode ter certeza de que vou me sentir muito melhor. – eu dei um sorriso para ela, que eu rezava para que ela não tivesse percebido que ele não se refletia em meus olhos. – Você sabe como eu fico mais contente quando eu piso firme no acelerador.
 
Ela riu, sabendo que eu estava tentando dobrá-la, e voltou a deitar a cabeça no ombro de
 Chay, com um sorriso satisfeito, mas, em contrapartida, os olhos preocupados voltados pra mim. Dei um sorriso pra ela e mudei a estação do rádio, que ainda tocava baladas românticas e deprimentes que provavelmente me fariam chorar ainda mais. 
Desta vez a rádio era country e uma música estranha e com um barulho terrivelmente irritante de bandolim enchia o carro num volume ainda baixo. Era melhor assim. Músicas irritantes atraíam a minha raiva e impediam que eu caísse no choro. De novo, eu deveria acrescentar.
 
E eu já estava quase a cento e oitenta e cantando uma das baladas countries que eu conhecia bem até demais. Enquanto cantava e dirigia sem prestar muito atenção a placas e todo o resto, eu tinha um chocolate deliciosamente meio amargo nas mãos. O que mais eu poderia querer?
 
Dei mais uma grande mordida na barra de chocolate e me senti melhor enquanto cantava o refrão de Cowboy Take Me Away, das Dixie Chicks, que era o mais perto que eu conseguia chegar dessa parte rural dos Estados Unidos. Uma música country de vez em quando, um colar de flores tipicamente havaiano em uma ou outra festa a fantasia e um cartão postal a tia Loren, que morava na costa leste, e era o máximo que eu conseguia de manter a igualdade entre todos os estados do país. E olha que eu já estava fazendo até demais, na minha opinião.
Ri com gosto quando inverti a segunda estrofe, tampando a boca em seguida com medo de ter rido muito alto. Nunca mais duvidaria de
 Mel quando ela enumerava as curas terapêuticas do chocolate. Ele realmente melhorara o meu humor, e misturado com refrigerante de cola, eu estava nas mais perfeitas condições, nem ao menos parecia que eu havia chorado minutos antes. 
E claro, o meu olhar mantido sempre em frente, não sendo desviado para uma certa pessoa ao meu lado, facilitavam e muito a minha melhora de humor.
 
Mas foi apenas lembrar de
 Arthur que meu olhar imediatamente se virou na direção dele, como se apenas chamar o nome de Arthur já tivesse alguma magia que me atraísse para o ponto onde ele estivesse, qualquer que fosse o ponto. 
- Ei. – a voz sonolenta dele disse, e imediatamente virei meus olhos pra frente, como se jamais tivesse olhado para ele. –
 Lua. – ele chamou novamente. Com relutância, respondi ao seu chamado com um resmungo que permitiu que ele continuasse. – Se eu te disser algo agora, você não irá esquecer? 
- Se você não apagar minha memória, não.
 
Apenas de lembrar sobre apagar a minha memória, eu já sentia algo perturbando o meu peito com uma força esmagadora. Mas como eu já havia pensado mais cedo, qualquer forma de esquecer
 Arthur era válida, e se fosse apagando minha mente e tirando dela toda e qualquer lembrança, eu ficaria ainda mais aliviada. 
Mas... E se não conseguisse tirar
 Arthur do meu coração? Não. Nem ao menos pensaria nesta hipótese. Era pedir demais para o azar. 
- Mesmo que eu apague, - ele disse com um ar superior, mas estranho ao mesmo tempo, e nem ao menos sei dizer por que aquela estranheza me intrigou tanto. – Você promete que não esquecerá minhas palavras?
 
- Fala logo,
 Arthur. 
- Mra T Nhé,
 Lua. 
Ergui as sobrancelhas para ele, sem entender nada do que ele queria dizer. "Mra T Nhé", grande coisa, eu poderia jurar que logo esqueceria daquilo, coisas que não faziam sentido pra mim logo saíam da minha cabeça.
 
De repente me lembrei que ele comentara alguma coisa como aquilo no meu apartamento, mas segurei minha língua evitando que eu perguntasse o que aquilo significava. E antes que eu pudesse arrancar a minha língua a dentadas, pude ouvir as palavras saindo de meus lábios:
 
- O que significa isso?
 
- É uma palavra Nells que está quase perdida. Poucas pessoas a dizem, e muitas não entendem realmente o que ela quer dizer. Acho que
 Chay começou a entendê-la. E você vai entender. 
Assenti, decidida a não dizer mais nada. Aquelas palavras me pareciam tão familiares e o seu som, apesar de parecer tão russo, era como uma carícia suave e leve de um amante.
 
-
 Lua... Você me promete que não vai esquecer? 
- Eu prometo,
 Arthur. 
Ele sorriu, satisfeito, e aquilo me fez pensar que aquelas palavras deveriam ser parte de uma senha, que se acontecesse algo com ele, que Deus nos livrasse, eu saberia.
 
Eu queria pedir que ele me prometesse algo de volta. Queria que ele me prometesse nunca quebrar meu coração, mas essa seria uma promessa falha. Ele já estava quebrado. E
 Arthur nem fizera nada. Ele apenas era quem era, alguém que nunca poderia ficar comigo, e saber deste fato quebrava meu coração com uma força alucinante e dolorosamente angustiante. 
- Por que me disse isso,
 Arthur? Por que falou essas palavras pra mim? 
- Para que, quando eu for embora e você voltar a chorar, você se lembre delas.
 
Eu virei os olhos. Grande! Deveria então ser algo como “não chore” ou “fique forte”.
 
Mas mal sabia eu que aquelas palavras tinham algo de forte, sim. Porém, mais forte do que eu pensava. E quando
 Arthur fechou seus olhos, pronto para dormir mais uma vez, a velha canção romântica e country que tocava no rádio trouxe aquelas estúpidas lágrimas de volta aos meus olhos, e percebi que eu mais traduzia as palavras do meu coração do que cantava, quando me perguntava como eu viveria sem ele, como eu respiraria sem ele, se ele partiria, como eu sobreviveria. Eu limpei uma lágrima teimosa que escorreu por todo meu rosto. E enquanto eu olhava para o rosto de Arthur, lembrei de suas palavras e junto com Lee Ann Rimes, eu completei a música com um sussurro doloroso: 
- Como eu viverei?
 

 

                                                                                                            
                                                                                                             Direitos Autoriais: Elle S.

Desculpem por não ter postado ontem, pois estava ruim, ainda estou, mas espero que gostem e comentem. Beijos na Testa (Acho legal beijar a testa não sei por que).


10 comentários:

  1. bom tudo bem voce nao ter postado ontem, contato imediato, mas a web novela esta muito boa, mesmo.

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  2. olha a unica coisa que eu quero é que vc poste +++++++++++++++++++++++++++ hoje para compenssar a de ontem HAHAHAHAHA kkkkkkkkk brincadeira mais se vc puder posta logo eu to curiosicicicicima
    by: vitoria yasmim

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  3. nossa a web esta muito legal estou amando posta ++++++++++++

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  4. posta maIS POR FAVOR MAIS MAIS MAIS MAIS MAIS MAIS MAIS MAIS MAIS MAIS MAIS MAIS! ESTOU MUITO MUITO MUITO CURIOSA!

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  5. ta maravilhosa a web continue postando eu to adornado

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  6. posta mais por avor quero maisssssssssss
    ass:Manu

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  7. Que pena q a web só tem mais 7 capitulos
    Posta mais
    estamos precisando

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