23/08/2012

"Contato Imediato"

                                                                      Capitulo 17
                      

Dezessete 

Jane Lynn estava completamente certa ao dizer que Allie parecia com Jennifer Aniston. Ela era linda. Seu vestido estava molhado, assim como seus cabelos, mas ainda assim, ela parecia uma deusa. Algo tão etéreo que eu não saberia como descrever.
 
Era completa e absurdamente desleal competir contra uma mulher como ela e ainda por cima com olhos tão cativantes e sexies. Era quase como colocar uma fatia de pão ao lado de um sanduíche mega elaborado. Eu era sem graça e estava horrível com roupas amassadas e o cabelo desgrenhado. Como poderia ao menos cogitar a hipótese de haver uma escolha?
 
E de repente passou algo em minha cabeça que fez todo o sentido possível.
 Arthur nunca me desejara de verdade. Ele apenas me usara para, de algum modo que eu ainda não descobrira, chegar mais rápido à nave e voltar para Allie. A noite anterior provavelmente fora um passatempo. Ele estava com tesão e eu era a fêmea disponível mais próxima. Com certeza fora isso. Fazia todo o sentido do mundo para mim. 
- Então vocês são as terráqueas bondosas que estão cuidando de nossos exploradores? – ela perguntou simpática enquanto eu mantinha meus olhos fixos em
 Arthur, procurando em seus olhos uma centelha que indicasse que eu estava imaginando tudo errado. Que pudesse haver desejo, mas ele me encarava de volta num misto de raiva e tristeza, dirigidos completamente para mim e que não me deixavam dúvidas de que ele estava arrependido por ter sucumbido ao desejo e ter dormido de fato comigo. 
- Na verdade, Allie... –
 Chay se colocou entre Mel e a extraterrestre, e eu aproveitei para dar um passo para trás, tensa, me encostando à parede e abaixando a cabeça, buscando uma maneira de não deixar as lágrimas que se prendiam na minha garganta se despejarem numa torrente sem fim. – Mel é minha mrakni. 
- Ora! Mas que alegria!
 
Mel arregalou os olhos enquanto Allie colocava a mão no peito e reverenciava
 Mel, que estava mais surpresa ainda. 
- Como chegou aqui, Allie? –
 Arthur perguntou, seco. 
- Do jeito habitual, bobinho. Descobri onde a nave caiu e cheguei à Terra para buscar vocês, segui a presença de vocês e cheguei a uma prédio bonito, mas vocês não estavam lá, do mesmo jeito aconteceu com uma loja bem legal.
 
Ao ouvir Allie chamar a sua loja de “bem legal”,
 Mel abriu um sorriso exuberante. Era mais forte que ela ficar toda orgulhosa quando qualquer pessoa elogiava a sua loja de artigos exotéricos, que era a sua verdadeira paixão. 
- Quanto a você,
 Lua, é esse seu nome, não é? – eu assenti, ainda de cabeça baixa. Eu não queria encarar aqueles olhos chocolates e brilhantes que me mostravam com vigor o quanto eu era insignificante. – Você será recompensada por Airamidniv por sua bondade ao ajudar nossos exploradores. 
- Não precisa. Já fui muito agradecida, por assim dizer. – levantei a cabeça com um sorriso irônico na direção de
 Arthur. – Apenas por saber que eles estão recuperados dos ferimentos pela queda da nave e entretidos – disse a palavra com um nojo que todos pareceram notar, exceto Allie – já é mais do que um pagamento para mim. 
Mel me encarou com um olhar curioso e eu não respondi ou fiz qualquer gesto para me explicar.
 
- Agora que estamos todos felizes e unidos, já podemos cair na estrada de novo, certo? – eu disse completamente irônica.
 
Todos concordaram, e com os braços dados a
 Arthur, Allie caminhou na direção do carro, seguida por Chay, que não estava com Mel a tiracolo porque ela estava ao meu lado com uma cara conhecida de quem queria saber o motivo das minhas atitudes recentes. 
- Não quero conversar,
 Mel. – eu disse, andando com passos duros na direção do carro, sentindo a chuva ficar mais forte enquanto eu andava. Estavam de brincadeira com a minha cara, não era? Até o tempo estava contra mim? Provavelmente. 
-
 Lua, espera, o que houve? – Mel me segurou e olhou nos meus olhos de um jeito que me provava que ela me conhecia mais do que qualquer outra pessoa que pudesse existir. – Me conta, amiga. Por favor. Eu estou preocupada e algo me diz que não é apenas uma insegurança porque você conheceu a sua “rival”. Pode ir dizendo. 
Eu me virei, ficando de costas para onde todos estavam e olhei para
 Mel, deixando que as minhas lágrimas represadas com tanto custo se perdessem pelo meu rosto, num pranto silencioso. Ela me olhou com os olhos úmidos de emoção e preocupação e minha voz estava falha enquanto eu explicava para ela a minha teoria de que Arthur estava apenas me usando. 
- Não creio que ele...
 
- Ele não me ama,
 Mel. E eu sou uma idiota por, mesmo sabendo disso, ainda me entregar de corpo e alma pra ele. Eu queria... – O que eu queria mesmo? Nem eu mesma sabia. Ou melhor, sabia, mas o simples fato de não possuir nenhuma perspectiva de que pudesse haver um futuro para esse meu amor irracional era o que me fazia crer que eu não deveria ficar nutrindo esperanças. Querendo o que eu não poderia ter. 
-
 Lua, eu... 
- Vamos logo pra esse carro maldito e pra esse estado maldito. Vou ficar muito melhor depois que ele for embora. – eu disse com um sorriso triste. Eu me arrependi de minhas palavras no mesmo momento que as proferi. As coisas ficariam melhores para mim quando eles entrassem naquela nave e levassem consigo todas as minhas lembranças. Mas não para
 Mel. Ela teria de ver a sua alma gêmea ir embora depois de ter lutado tantos anos para encontrá-la. 
- Estou com um mau pressentimento,
 Lua. 
Já estávamos quase no carro quando ela fez o favor de me avisar que seus maus pressentimentos haviam retornado. Eu os odiava porque eles sempre provavam estar certos. Quando ela dissera que tinha certeza que as coisas não estavam acabadas quando deixamos
 Arthur e Chay na praia, eu queria muito que ela não estivesse certa. Mas eu já conhecia Mel havia anos demais para saber que ela nunca estava errada. 
- O que vai haver dessa vez?
 
- Não sei. Mas vai. – ela estava pálida e passou a chave do carro para mim, que imediatamente me acomodei no banco do motorista enquanto
 Mel ficava ao meu lado. Não me preocupei em olhar para trás para saber se estavam todos bem acomodados. Eu pouco me preocupava. Quem sabe eu me incomodasse com Chay ficar um pouco desconfortável, quanto ao resto, por mim eu não me importaria nem um pouco se eles nem entrassem no carro. 
- Só falta Iowa e Nebraska e já estaremos aonde vocês tem que chegar. – eu disse com a voz seca. – E farei isso o máximo para chegarmos o mais rápido possível.
 
- Não se apresse. –
 Arthur disse com a sua arrogância de sempre. 
E justamente por isso pisei no acelerador com toda a minha raiva e aproveitei que estávamos numa estrada de terra e deixei que a lama voasse livre para o carro de
 Mel. 
Diminui um pouco assim que cheguei à estrada, com medo dos radares, e dirigi com os olhos fixos mais à frente, sentindo o mau pressentimento me acertar de uma maneira estranha. Era como se estivéssemos sendo seguidos, ou coisa parecida. Olhei pelo retrovisor, mas não havia nenhum carro por perto o que provava que meu medo era meio infundado.
 
- Vocês sentem também? –
 Mel perguntou quando notou que todos no banco traseiro se mexiam, incômodos. 
- Evite essa estrada,
 Lua. – disse Arthur com o olhar fixo na estrada. 
- Não tem nenhum retorno,
 Arthur. É a única estrada para Iowa. Não temos outra escolha. 
Eu fui rude e nem me preocupei em me desculpar. Todos naquele carro estavam tensos e a minha tensão também dividia espaço com insegurança e decepção. Era por isso que eu não via a hora de chegar em Wyoming. Bastava chegarmos lá e meus pensamentos seriam levados e com certeza aquelas sensações horríveis e torturantes também.
 
- Corte caminho pelo pasto. Não atravesse a fronteira pra Iowa.
 
- Como,
 Arthur? – foi a vez de Mel ficar irritadiça. Não havia outra maneira. Teriamos que atravessar a fronteira. Não havia outro jeito. 
As nuvens negras e acinzentadas estavam tampando a minha visão de cinco metros a frente, mas eu não era cega o bastante para não conseguir divisar que o que havia mais à frente eram carros.
 
Vários deles, no mínimo doze. Todos parados enfileirados na fronteira onde a placa que avisava da entrada para Iowa. Olhei para
 Mel, que já respirava com dificuldade e percebi que minhas mãos tremiam em cima do volante, suadas e frias. 
Eu pensei em dar meia volta e avançar com toda a velocidade, mas não era idiota a este ponto. Fazer isso era pedir para ser seguida com fogo aberto atrás de nós. E a última coisa que eu queria era levar um tiro. Ou ver qualquer um dentro daquele carro levar um. Apesar de não gostar de Allie, não desejava nada de tão mal para ela. Talvez apenas ficar careca. No máximo.
 
- Deus,
 Lua! O que vamos fazer? 
Antes que eu pudesse responder a
 Mel, a voz de um policial aumentada pelo megafone que ele segurava ordenou-nos que parássemos o carro e descêssemos dele com as mãos para cima.
Meu peito estava disparado e fiquei ainda mais nervosa e amedrontada quando eu vi as duas pessoas que estavam na frente do primeiro carro de polícia do cerco. Nem se eu quisesse eu não conseguiria reconhecê-los. Os cabelos ruivos meio rosados de Izzy e o seu parceiro a tira colo eram únicos.
 
A ARE estava ali. E o meu medo estava tomando proporções astronômicas. Eles pegariam
 Arthur. Eles levariam Arthur. 
Os policiais avisaram mais uma vez que deveríamos todos sair do carro com as mãos na cabeça, e
 Mel, temerosa de que algo pudesse acontecer ao seu precioso Chay, abriu a porta e colocou as duas mãos na cabeça, ficando de pernas abertas em frente ao carro. O que me teria feito rir como uma louca, se eu não estivesse tão nervosa. 
Olhei para trás e
 Chay não tirava os olhos de Mel, tentando de alguma maneira prever o que aconteceria a seguir. E eu sabia que se houvesse o mínimo risco de perigo, Chay sairia daquele carro como um raio e protegeria Mel. Com um olhar para Arthur, que encarava Allie, que estava respirando com dificuldade e de uma maneira estranha por causa do medo, eu coloquei as mãos na cabeça, saindo do carro também, com um sentimento estranho que me fazia crer que se houvesse a mesma chance de perigo que houvesse para Mel, Arthur não se daria ao trabalho de sair de dentro do carro para me salvar. 
- Estou com medo,
 Mel. – eu disse, como se o fato já não fosse obvio. 
- Todos os outros. – Izzy disse no megafone enquanto Noah vinha para mais perto de nós, tentando ver o quem mais havia dentro do carro. – Saiam imediatamente de dentro do carro com as mãos na cabeça.
 
Vários fachos de luz vermelha passaram pela cabeça de
 Mel, e mostrando que também sabia o que eram aqueles fachos, Chay levou as mãos à cabeça e parou em frente a Mel, fazendo com que as luzes o atingissem primeiro. 
- Allie está fazendo contato mental com a nave. Logo ela estará aqui.
 
Os olhos de Izzy e Noah brilharam ao ver
 Chay e me fizeram notar que eles estavam a menos de dois metros de nós agora e vinham se aproximando ainda mais. 
Mel abaixou suas mãos, sem ação. O seu medo havia sido redirecionado. A nave estava a caminho. Era o sinal que ela adiara o máximo que pudera. A última coisa que ela queria ver, a nave era a prova real e concreta que ele partiria de sua vida. E notei que todos os sentimentos que passavam pelo rosto incrédulo de
 Mel eram espelhados no meu ao ver Arthur sair de dentro do carro com o rosto tenso e avisar-nos que a nave estava perto. 
Eu passara dias com medo daquela notícia, e agora que a escutava, parecia que tudo o que acontecera era apenas um pesadelo bem ruim.
 
- Com as mãos na cabeça. Todos com as mãos na cabeça. – um policial gritou e todos nós colocamos as mãos na cabeça com medo da ameaça velada na sua voz.
 
De repente os fachos de luz pararam e percebi que estávamos envoltos em uma espécie de escudo acinzentado que não permitia que nenhum dos fachos de luz das armas nos atingisse.
 
Eu estava nervosa por tantos motivos que nunca conseguiria listá-los e ver todos aqueles carros de polícia e a possibilidade de poder ver
 Arthur por apenas mais alguns segundos estava deixando tudo ainda pior. Minhas pernas tremiam, minha cabeça latejava de tantos pensamentos ao mesmo tempo, meu corpo suava frio e eu não tinha a mínima idéia do que fazer a não ser ficar parada ao lado do carro com as duas mãos sobre a cabeça, buscando uma solução. 
Céus! Até que dia eu iria tentar buscar soluções para coisas insolúveis? Um exemplo? Eu queria uma solução, um milagre naquele exato momento, cercada de carros de polícia, atiradores e da noiva de
 Arthur e a chegada iminente de sua nave. Eu queria alguma maneira de mantê-lo junto a mim, na Terra, em Airamidniv, em qualquer lugar. Eu simplesmente queria tê-lo comigo. 
Mel estava prestes a ter uma crise nervosa, olhando para todos os lados com medo de acontecer alguma coisa ao seu
 Chay, mas com mais medo de a nave chegar. Os olhos de minha amiga nunca estiveram tão assustados. Eu poderia dizer todos os sentimentos que a aflingiam apenas de olhar em seus olhos. E saber que eu não poderia fazer nada para acalmá-la, já que eu estava praticamente estática, me deixava muito mal. 
- Estou com medo. – ela disse, virando seus olhos para mim e apenas mexendo os lábios para me dizer isso. – Não posso deixá-lo ir.
 
Eu sabia exatamente como ela estava se sentindo e olhei para
 Arthur, para saber como eu o deixaria ir. Fechei os olhos, sentindo todos os meus sentidos abalados, sem conseguir enxergar, ouvir ou sentir qualquer coisa, e temi que fosse desmaiar novamente, quando fui segurada pelas mãos conhecidas de Arthur. 
- Olhe para mim,
 Lua. Respire. 
- Não se preocupe. – eu me endireitei, tonta, e me afastei de suas mãos sem me dignar a olhá-lo. Eu ainda tinha consciência do que fazia bem e mal para mim. E olhar para ele se encaixava claramente na segunda opção.
 
- Eles criaram uma barreira. Os alienígenas criaram uma barreira. Atirem agora. – escutei um policial, pela voz, o mesmo que estava com o megafone, gritar.
 
- Cem milhas. Estão há cem milhas. – disse Allie com a mão na testa e eu nem precisei de superpoderes para saber do que ela estava falando. A nave estava há cem milhas.
 
-
 Blanco e , entreguem os extraterrestres agora mesmo. 
- Falar é fácil, querido! – gritou
 Mel num arroubo de raiva. – Eu não quero deixar ele nem voltar pra casa, imagine colocar ele na mão de vocês. Fala sério! 
Chay não segurou uma risada e colocou a mão em seu rosto, num gesto carinhoso que foi emocionadamente assistido por mim, que quase fui às lagrimas quando ele mexeu os lábios prometendo que ficaria tudo bem. E eu mesma acreditei em suas palavras, embora soubesse que não deveria acreditar.
 
- Não é uma brincadeira. Desfaçam esse campo magnético ou abriremos fogo.
 
Olhei com medo para a barreira cinzenta que nos separava do mundo lá fora, que estava cheio de policiais enfurecidos e dois agentes da ARE prestes a cortar os aliens comigo em milhares de pedaços.
 
Não consegui evitar que meu olhar fosse atraído para cima, para ver a pequena abertura na cúpula acinzentada que nos protegia, na esperança de ver a nave. Quanto mais rápido, mais indolor.
 
Seria como tirar um curativo da pele. Rápido para doer menos. A quem eu queria enganar? Doeria mais do que eu pudesse pensar. Partiria meu coração em mais pedaços do que eu poderia colar.
 
- Cinquenta milhas. – Allie anunciou enquanto todos nós olhávamos para o céu, à espera da nave, com medo de que ela aparecesse, mas ao mesmo tempo ansiosa.
 
Eu não saberia descrever o tanto de sentimentos que passavam na minha mente com tanta velocidade. Eu queria que tudo acabasse naquele momento e descobrisse que estava apenas dormindo. Seria mais fácil para todos.
 
Mel correu de trás de
 Chay para os meus braços entre lágrimas de dor e desesperança enquanto eu a afagava, sussurrando palavras que, por mais baixas que fossem, eram mais altas que o som dos gritos dos policiais do lado de fora da nossa bolha. 
- Tudo vai ficar bem,
 Mel, vai ficar tudo bem. – eu disse e não pude evitar que meus olhos se focassem em Arthur, que segurava Allie, que ainda mantinha as duas mãos na cabeça, mostrando que esta estava doendo e mantinha seus olhos em mim também. Os seus olhos castanhos pareciam atormentados e mais brilhantes que o normal, e se eu fosse ingênua o suficiente, até poderia dizer que ele estava prestes a chorar. 
Mas eu não era ingênua a esse ponto. Ou se estivesse chorando, era de felicidade por se ver livre de um planeta como a Terra e pessoas tolas e incapazes de resistir a seu charme extraterrestre como eu.
 
Os policiais gritaram algo que eu não entendi e imediatamente o barulho de tiros contra uma chapa de aço foram ouvidos, provando que a policia havia aberto, finalmente, fogo contra nós.
 
-
 Lua Blanco e Mel , entreguem-nos de uma vez os alienígenas. – a voz de Noah e Izzy gritaram juntas. 
De repente, um barulho estranho fez com que meus ouvidos se tampassem, um barulho como o que você ouve quando entra água no seu ouvido. Incomodo e que você não consegue parar. Eu sabia o que era. Não precisava ser nenhuma gênia para saber o que estava acontecendo.
 
Todos os meus pelos estavam arrepiados por causa do magnetismo que vinha da enorme nave acima de nós.
 
Era brilhante como a que caíra com
 Arthur e Chay, mas bem maior. Brilhava de um jeito cegante com luzes de várias cores. Era enorme. Parecia uma enorme bola de futebol americano, prateada e brilhante. Eu podia escutar os gritos assombrados dos policiais do lado de fora da proteção, mas não conseguia deixar de tirar os olhos da nave. Como da outra vez. 
Era linda, me chamava como um ímã e eu andei um pouco para o lado, com a cabeça erguida, admirando a nave com reverência, enquanto apenas escutava as coisas à minha volta, como se tudo parecesse tão longe.
 
- Precisamos ir. Agora,
 Arthur. – Allie dizia. 
- Sim. Vamos,
 Chay. 
E então
 Mel chorou mais alto, atraindo a minha atenção. Meus olhos saíram da nave incrível e pararam na minha amiga, que havia caído de joelhos no chão e evitava que Chay a tocasse. 
Chay tinha lágrimas escorrendo pelo rosto, e toda a dor que os dois sentiam veio toda para mim como se eu fosse uma espécie de pararraio. Ele se ajoelhou na frente dela e tentou tocar seu rosto, mas ela o virou antes que isso acontecesse.
 
- Rápido, temos pouco tempo. A barreira só durará mais alguns minutos.
 
A voz de
 Arthur impassível chamou a atenção de todos nós, e Chay levantou os olhos pra ele, falando na sua linguagem silenciosa, fazendo Arthur se afastar com uma reverência para os dois. 
- Podemos aproveitar enquanto os dois conversam para resolver algo muito importante.
 
Eu mesma não reconheci minha voz. Tudo o que eu saberia dizer naquele momento era que eu não era eu. Meus sentimentos haviam se aquietado e apenas uma tristeza profunda e uma ansiedade para que tudo acabasse do modo mais rápido dominavam meu peito. Minha voz estava firme, nem parecia que há minutos atrás eu estava prestes a ruir.
 
- E o que é? –
 Arthur perguntou de seu modo arrogante e seco do qual eu odiava, mas sabia que sentiria saudades. 
- Apagar a minha memória. – eu respondi de cabeça erguida, pronta para que todas as minhas lembranças de
 Arthur e Chay fossem tiradas de mim. 
Pronta para esquecer que eu o amava mais que tudo na vida. E principalmente, que ele não me amava de volta.
 

Pessoal desculpem por não postar, mas sigam meu tumblr: brunabarrosofc.tumblr.com e meu twitter: @Brunabarrosofc 

                                                                                                        

18 comentários:

  1. eu estou adorando a web novela contato imediato esta muito legal, psta mais, porfavor.

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  2. bru para de acabar comigo desse jeito menina ,cê sabe o quanto eu chorei nesse capitulo.Cara como consegue isso ?Tu ta me fazendo ter vontade de ir na sua casa e te ameaçar e fazer com que você me conte tudinho que vai acontecer e depois que eu conseguir tudo o que quero saber,e te torturar com alguma coisa.E posta mais minha fia./Jú

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  3. haaaaaaaaaaaaaaaaah,='(,por que???posta mais amo muito esas web,vc escreve super bem,parabens

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  4. Posta mais por favor,estou chorando rios de lágrimas aqui.Tomara que tudo acabe bem no final!

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  5. posta mais por favor

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  6. posta mais por favor, vou morrer se vc demorar para postar!

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  7. Aaa, posta mais e hoje ainda PLEASE

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  8. posta mais por favor,não demora,se não amanhã quando vc fo ler o jornal vai estar escrito"garota de 14 anos morre de curiosidade".Então se vc não quer que eu morra,é melhor postar logo e vários. Obrigado!

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  9. posta mais por piedade,estou ficando mais lucy do que o normal!

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  10. Posta mais amo de todo o coração está web.Não leve muito tempo para postar.Se não vc vai matar suas queridas litoras de tanta curiosidade e anciedade!Beijos...

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  11. Posta mais por favor.VOU MORRER!

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  12. posta hoje, vc demora mto pra posta

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