26/08/2012

"Contato Imediato"

                                                        Capitulo 18
                    



Dezoito 

Mel 
Eu estava consciente da nave acima de mim fazendo um barulho irritante. Estava ciente das mãos de
 Chay tentando me tocar a todo instante para que eu olhasse para ele. Mas tudo o que eu conseguia ver, ouvir e sentir era a minha dor. 
Quanto tempo levaria para que parasse de doer? Eu achava que havia me preparado tanto para aquele momento e, no entanto, eu não havia pensado que chegaria tão rápido. Como eu saberia que teria apenas mais alguns poucos minutos com
 Chay, tocando sua pele, sentindo o seu perfume que já virara o oxigênio para mim? Ele tentou tocar meu rosto novamente com suas mãos quentes, mais uma vez e propositalmente, esquivei do seu toque. 
Em minha mente podia ouvir as palavras de
 Chay como se ele as estivesse sussurrando para mim. Eu estava fazendo questão de ignorar o contato mental que ele estava fazendo. Eu queria fazer aquilo do jeito mais fácil, mas Chay complicava tudo. Era simples, não era? 
Apagar a minha memória, esquecer que éramos mraknis e subir pelo raio de luz azul que desceria da nave. Eu, pelo menos, imaginava que seria azul. Em alguns encontros ufos que eu havia presenciado, eles sempre diziam que a luz era azul.
 
- Por favor,
 Mel. Não torne tudo mais difícil para mim. 
- Apenas vá embora,
 Chay. – deixei meu corpo cair sentado e apoiei as costas no pneu dianteiro esquerdo, enquanto limpava as lágrimas e me encolhia, colocando os joelhos no peito. 
- Eu não posso ir,
 Mel. Não enquanto tudo isso não estiver resolvido. – ele colocou a mão no meu joelho e eu senti que não conseguiria afastá-lo de mim por muito tempo. Eu era determinada, mas Chay era mais teimoso que eu. E nesse caso, ainda tínhamos uma variável muito importante a considerar: eu não conseguia ficar sem seu toque ou sua voz rouca me dizendo “mra t nhé” apenas para me ver repetir as palavras que significavam que ele me amava, na minha voz fanhosa. 
- Pode sim. É simples: está tudo resolvido. Eu finjo que eu não sou sua mrakni ou qualquer coisa que nos mantenha em um envolvimento, você apaga minha memória, vai embora e é feliz no seu planeta. Para mim não parece tão difícil.
 
Sim, eu estava mentindo. Eu sabia que ele nunca esqueceria que eu seria sua mrakni. Ele havia me explicado que encontrar a sua é um fenômeno tão raro, que é impossível se afastar quando a encontra. Mas ele tinha que levar em conta que eu era uma terráquea, eu não podia ir, ele não podia ficar. Era assim.
 
- Não é tão simples. Você sabe disso. – ele resmungou.
 
Chay estava transtornado. Seus cabelos escuros estavam completamente bagunçados e seu rosto espelhava a sua raiva e impotência por não achar uma saída fácil para nós. Ele não poderia ficar na Terra comigo. Era perigoso demais, a ARE estava na nossa frente, era ele se rejeitar a subir na nave com os outros e ele seria imediatamente levado. E pensando dessa maneira, era pior. Nem Deus sabia o que aqueles agentes poderiam fazer com ele, matá-lo, torturá-lo, estudá-lo ou sabe-se lá mais o quê. Se fosse para ser assim, eu preferia vê-lo longe do que sofrendo esse tipo de atrocidade por querer ficar comigo.
 
Eu não poderia ser egoísta. Eu já fora isso por tempo demais. Eu fiz o que queria de
 Lua, manipulando-a no papel de melhor amiga e a arrastando para todas as minhas confusões. Não poderia fazer o mesmo com Chay e pedir para que ele ficasse comigo. Eu sabia que ele ficaria se eu pedisse. 
- Só pense como somos melhores juntos,
 Mel. Lembre de quanto tempo nós demoramos para encontrar alguém que nos amasse de verdade até encontrarmos um ao outro. – ele segurou minha mão, e eu não fiz um só movimento para tirá-la do meio das mãos dele. O seu carinho era quente como o seu corpo e imediatamente me fez recordar dos momentos que havíamos vivido mais cedo, na estrebaria. Ele fora tão doce e apaixonado, como sempre. Mas dessa vez tinha sido mais especial. Ele me tocara por inteiro, sussurrando palavras doces na minha língua e repetindo na dele, como se o som de seus elogios soasse igualmente perfeito nos dois idiomas. Ele ondulava o seu corpo sobre o meu e me levava à loucura do êxtase, enquanto eu não tinha outra opção a não ser sussurrar seu nome. Mra T Nhé, eu havia dito, e a luz de seu sorriso me deixara tão contente que pela primeira vez na minha vida eu soubera que havia dito a coisa certa no momento certo. 
Desde o momento em que eu o encontrara naquele buraco com os olhos fechados e ferimentos pelo corpo, eu tive a certeza de que a minha vida mudaria naquele momento. Um homem caíra das estrelas para ocupar no meu coração, do espaço enorme que havia para elas. Eu passara tanto tempo da minha vida observando as estrelas e nunca havia parado para pensar que o amor da minha vida pudesse estar entre elas.
 
- Eu sou seu. – ele disse com a voz rouca e deixou que algumas lágrimas escorressem do seu rosto para o chão, enquanto se ajoelhava na minha frente, com o rosto ainda mais tenso, mas sem por instante nenhum soltar a minha mão. – Distância nenhuma, pessoa nenhuma poderá mudar isso. Não farei nada que você não queira, não deixarei de atender nenhum pedido seu. Eu serei seu defensor pelas estrelas, jurarei meu amor por você pelas galáxias. E é por isso,
 Mel, que eu te peço para não me mandar embora. 
Ele procurou meus olhos e eu não resisti a levantar minha cabeça para encará-lo. Não havia como resistir a
 Chay. Eu tentei durante toda a ida de carro para a minha casa naquele dia. Nunca falei a sério com Lua que iria dormir com ele. A minha maior diversão é provocar Lua para ver se por algum acaso das estrelas ela deixaria de ser aquele robô sem coração, sem senso de humor e que desperdiçava a vida sendo realista demais e preocupada demais. Porém, naquela noite, depois de levar Chay para comer alguma coisa, cheguei em casa exausta. Não havia dormido direito e toda aquela tensão de “oi, eu encontrei um alien” estava me deixando maluca. O nosso combinado havia sido de ele dormir no sofá-cama enquanto eu dormia no meu quarto, mas estava passando Lost, e eu não resisti à ver um episódio a mais e acabei aninhada no sofá junto com ele, que não se incomodou em dividir o sofá comigo. 
Chay era tão quente. E mesmo a noite de Nova York estando gelada, eu não senti nenhum frio. Ele havia falado alguma coisa sobre a tecnologia das TVs e sem querer nossos rostos ficaram pertos demais a ponto de nossos narizes se roçarem.
 
- Você acredita no poder das estrelas,
 Mel? – ele havia dito com a voz falha naquele dia. Eu não tinha voz, por isso apenas assenti. – E você poderia dizer que isso que estamos sentindo agora faz parte do poder das estrelas? 
Eu assenti mais uma vez enquanto fechava os olhos, já prevendo o beijo que estava por vir e quase delirando quando ele finalmente veio. Calmo, romântico, mas ao mesmo tempo tão arrebatador que pensei que estivesse morrendo apenas por sentir o calor de seus lábios nos meus.
 
Naquela noite não aconteceu nem metade do que eu supus para
 Lua pela manhã. Eu e Chay apenas conversamos sobre o planeta dele, enquanto eu explicava sobre tecnologia terrestre. Nada demais. Além do fato de eu ter dormido no sofá naquela noite e ele ter se aconchegado atrás de mim, cobrindo a nós dois e me esquentado com o calor de seu corpo. Nada mais aconteceu. 
-
 Mel... – ele chamou minha atenção para as suas lágrimas novamente. – Mra T Nhé. – eu funguei tentando desesperadamente ser silenciosa, mas meu choro estava inconsolável. – Você sabe o que significa essas palavras, minha mrakni, você sabe o quão raras elas são para mim, por favor não faça com que elas sejam em vão. 
Ele ergueu uma de suas mãos e tocou meu rosto. Eu não tinha mais forças para fugir, e por isso repousei meu rosto em sua mão, enquanto sentia ele acariciá-lo com toda a sua ternura. Como eu poderia voltar a viver depois que ele fosse embora? Sem seu toque, seu calor, seus olhos, sua voz tão diferente que era capaz de me arrepiar? Sem seu sorriso, como eu iria saber que a vida poderia ser melhor do que era?
 
- Eu amo você,
 Chay. Amo muito. – eu confessei entre lágrimas. Ele abriu os braços e eu não vi outra solução a não ser me jogar neles e deixar que as lagrimas fizessem ainda mais estrago, molhando sua camisa e deixando meu rosto completamente desfigurado. 
- Então confie em mim.
 
Aquelas eram as mesmas palavras que ele dissera quando nos entregáramos um ao outro pela primeira vez. Havia sido no hotel em Hamilton, e era uma das memórias que eu imploraria aChay que me deixasse com ela. Se eu não me lembrasse de com quem eu dormira, ou se não tivesse certeza de que era um sonho ou não, isso não importava. O que importava era que eu nunca tinha sido amada daquela maneira na vida. Nós dois sabíamos que aquilo aconteceria quando havíamos sido os últimos a sair da mesa, no restaurante do hotel. No elevador, o meu coração pulsava tão rápido que por vezes pensei que ele poderia ser escutado de fora do elevador.
 Chay se mexia nervosamente ao meu lado, mostrando que estava tão nervoso quanto eu. 
Demorei muito tempo para conseguir encaixar a chave na fechadura, de tanto que tremia, e quando entramos no quarto e
 Chay fechou a porta, se apoiando nela, encarando a mim com seus olhos castanhos e lindos, tudo o que eu soube era que estava no meu destino me perder naqueles sentimentos. Eu me joguei em seus braços e o beijei quase com voracidade, sentindo o gosto do mel das panquecas em sua boca. De repente suas mãos ganharam vida própria e estavam enlouquecendo–me, enquanto passeavam por todo o meu corpo, apenas sentindo os relevos, esperando que eu tomasse a iniciativa. Mas eu estava tão cativa de seus sentimentos que não consegui pensar em nenhuma ação. Eu nunca havia sido tratada com tanto carinho e ternura por um homem e ter aquilo justamente do homem por quem eu havia me apaixonado. 
Eu não sabia como agir e nem o que falar, até que ele olhou em meus olhos e perguntou se eu confiava nele. Eu confiaria minha vida a
 Chay. Sem pestanejar. Ele sorriu como se soubesse que eu havia pensado aquilo e pegou-me no colo, me colocando na cama e me amando com toda a reverência que eu poderia esperar. Ele me tocara em todos os pontos que me excitavam e me mostrara que haviam muitos outros que eu nunca pensava existir. Ele me levara para o alto de todas as escalas de prazer e me fizera repetir de todas essas sensações quando repetimos o nosso amor, desta vez comigo experimentando o sabor daquela pele macia e beijando-o por inteiro. 
-
 Chay. – eu sussurrei em seu ouvido antes, e repeti aquilo novamente enquanto ele me abraçava entre lágrimas de ambas as partes. – Não me tire essas memórias. Não posso viver sem você, mas tenho certeza de que não conseguirei de forma alguma se não tiver essas memórias comigo. Saber que você me amou vai me fazer melhor. 
- Saber que eu te amo. – corrigiu
 Chay, passando a frase para o presente. – E nunca vou deixar de amar, Mel. 
- Eu nunca quis que esse momento chegasse. Eu nunca estive preparada para dizer adeus para ninguém, especialmente para você.
 
- Então não diga.
 
Chay se levantou como se houvesse lhe ocorrido a idéia do século. Eu teria que dizer Adeus. Não havia outra maneira. Eu estava presa entre um adeus e um eu te amo, mas na duvida, eu teria que dizer os dois. Eu teria que aprender a viver sem ele. Assim como eu havia aprendido a viver sozinha. E, se Deus me ajudasse, aquilo passaria um dia. E toda a dor que eu sentia em meu coração seria apenas um aperto de vez em quando que me bateria quando eu me lembrasse que eu era a alma gêmea de alguém que estava do outro lado das estrelas, pensando em mim também.
 
- Prometa que pensará em mim. – eu disse ignorando de propósito que ele queria que não disséssemos adeus. – Que mesmo em Airamidniv, o seu amor ainda será meu. Por favor.
 
- Em qualquer canto dessa galáxia, o meu coração não será de mais ninguém,
 Mel. Eu o dei a você e não quero devoluções. 
- Então confie em mim. Acredite que eu tenho a solução para a nossa situação. Acredite em mim. – assenti com a cabeça e deixei que ele lesse a minha mente, coisa que ele tinha confessado poder fazer na noite passada, e me lembrava de ter visto o seu rosto ficar vermelho de vergonha quando eu perguntei irada se ele realmente havia visto tudo o que eu pensava, com medo de que visse todo o meu medo de deixá-lo partir e como eu me sentia boba e sem graça perto dele às vezes. Mas
 Chay me garantira que respeitava meus pensamentos. Saber que ele me respeitava era incrivelmente gratificante. Respeito era uma das coisas mais importantes para se ter um amor para a vida inteira. E era o que eu tinha certeza que meu amor e de Chay seria: para a vida inteira. Talvez até além da vida. 
Ele sorriu e disse em minha cabeça que eu não deveria mais chorar. Ele estava comigo.
 
- Allie. Precisamos conversar. –
 Chay chamou, enquanto se levantava, limpando as lágrimas e depois esticando a mão para mim, me ajudando a levantar, sorrindo para mim e voltando a ficar sério. – Preciso conversar com você, também, Arthur. 
Voltei meus olhos para
 Arthur e vi que as coisas entre ele e Lua estavam mais que tensas. Os ombros de Lua estavam empertigados e logo ela teria um torcicolo de tanto empinar o nariz e eu sabia exatamente o que ela estava fazendo. Conhecia Lua há muito tempo e sabia que ela queria mostrar altivez e indiferença para Arthur, quando na verdade, ela estava prestes a desmoronar. Ela era especialista em fazer isso nas aulas de debate do ensino médio. E assim que o debate terminava, ela andava toda empertigada para o vestiário feminino e lá chorava toda a sua raiva e frustração. 
Dessa vez eu sabia que
 Lua choraria todo o seu amor perdido, coração partido e tristeza assim que a nave saísse de nossas vistas. 
- Agora,
 Chay? – Arthur perguntou seco, com os olhos anda fixos em Lua, que também não tirava os seus dos dele. Ela era teimosa, mas finalmente encontrar alguém que também fosse cabeça dura o suficiente para lidar com ela. 
Perfeitos um para o outro. Era a melhor forma de descrever
 Arthur e Lua. Teimosos, chatos e protetores. Simples assim. Chay me abraçou mais forte e sorri percebendo que a premissa de “feitos um para o outro” valia para mim e Chay também. Até nossos corpos tinham o encaixe perfeito para um e outro. Éramos sim, almas gêmeas. 
- Agora.
 
- Ainda não terminei com você. – com um quase rugido para
 Lua, Arthur se afastou, mas não antes de ouvir a voz de minha melhor amiga quase dois decibéis mais alta do que já é normalmente estridente. 
- Nem eu com você, Alien.
 
Arthur planejou voltar para dizer alguma coisa para ela, mas Allie segurou em seu braço e o puxou para onde
 Chay e eu estávamos, enquanto eu segurava a pulso a vontade de rir da cara de Arthur e Lua. 
- O que é,
 Chay? – ele perguntou seco. 
- Allie, você sabe que
 Mel é minha mrakni, por isso não posso deixá-la aqui, com todos esses perigos terrestres e correr o risco de não sobreviver em Airamidniv sem ela por perto. – ele engoliu em seco e sons de tiros contra a barreira que agora parecia metálica, pelo barulho, deu mais ênfase às palavras de Chay, que voltou a falar assim que os tiros terminaram. – Por isso peço permissão à você, como filha do naul de Airamidniv para que eu possa levar a minha mrakni comigo para o meu lar, onde ela também pertencerá e onde criaremos nossa família com todo o respeito por nosso planeta. 
Allie ergueu as duas mãos sobre a minha cabeça e sorriu.
 
- Como sua mrakni, ela tem todo o direito de ir para Airamidniv. E como uma das sucessoras do governo planetário, concedo à sua mrakni, todos os direitos e benefícios de um ser de nosso planeta.
 
- E eu lhe desejo boa sorte. –
 Arthur disse, tentando parecer simpático, mas seu rosto estava repleto de tensão enquanto ainda olhava furtivamente para Lua. 
Mas eles estavam decidindo tudo por mim. E a minha vontade?
 
Eu não poderia ir. Não podia deixar
 Lua. Ela era minha melhor amiga e poderia se meter em problemas astronômicos se eu não estivesse com ela. 
- Não posso ir. – olhei de um para o outro e senti o abraço de
 Chay se afrouxar, enquanto ele parecia decepcionado com a noticia. 
- Pode sim,
 Mel Lombriga. – disse Lua usando o meu apelidos dos tempos de criança com um sorriso que me fez lembrar de casa e do porque eu não podia ir embora. Eu tinha que cuidar dela e ela de mim, como sempre fora. Não poderia deixar que as coisas mudassem agora. – Eu vou ficar bem, sempre fui mais forte e menos chorona que você. Sei o segredo para deixar as coisas bem. É só ficar longe das estrelas. – ela riu. – Você está indo nas melhores mãos com quem eu poderia te deixar ir. Chay vai cuidar de você melhor do que eu jamais poderia, sem contar que ele é o seu mrakni. – Ela segurou uma risada alta ao dizer as palavras. – E eu que não vou agüentar você chorando como uma viúva enquanto estiver longe dele, e também não desejo um marmanjo como Chay chorando igual a um bebê na cabeça de ninguém. 
- Mas,
 Lua, eu... 
- Você sempre me disse que as estrelas te trazem o que você mais deseja. – ela sorriu e seus olhos brilharam de um modo conhecido. Ah, não, eu estava vivendo para ver isso.
 LuaBlanco chorando duas vezes na mesma semana. Era quase um recorde digno de Guinness Book. – Elas te trouxeram Chay. – ela sorriu mais uma vez, e de repente seu rosto ficou sério e me deu medo - Agora você vai dar as costas para suas malditas estrelas só porque acha que tem algum senso de responsabilidade comigo? Você é a irmã que eu nunca tive, Mel Lombriga, então por isso mesmo tenho a permissão de mandar em você e a minha ordem é que você entre nessa porcaria de nave, vá para esse inferno de planeta e seja feliz. 
Eu sorri e me joguei nos braços da minha melhor amiga enquanto ela ainda fazia um esforço sobre humano para não chorar.
 
- Obrigada Égua Lenta. – agradeci com o apelido que haviam dado para ela no acampamento, mesmo lugar aonde eu havia ganhado o odioso “Mel Lombriga”. – Eu... – as palavras se travavam em minha garganta de tanta emoção.
 
-
 Chay é a sua alma gêmea, não deixe ele esperando muito mais. Ele vai cuidar bem de você onde quer que seja, e estarei daqui rezando para que sua vida seja sempre iluminada... 
- Pelas estrelas da manhã. – ri, dizendo o fim do que costumava sempre dizer a ela. – Obrigada por ser minha irmã,
 Lua. 
- Obrigada a você,
 Mel. Essa aventura vai me dar um Pulitzer fácil. 
Nós rimos e virei para trás sorrindo para
 Chay que não cabia em si de felicidade. Eu e ele éramos tão perfeito juntos que eu não conseguiria pensar em viver longe dele. Apesar de ter cogitado a hipótese, eu sabia que o meu fim sem ele estava fadado a tristeza e mais tristeza. 
Eu morreria de saudades de
 Lua, mas eu queria pensar que isso talvez não acontecesse. Arthur era cabeça dura, mas também era muito decidido. Ele não deixaria Lua na Terra. 
Era mais que certo que ela era sua mrakni e estava apaixonada por ele. Se eu merecia um final feliz,
 Lua merecia um final e feliz e meio. 
Ela cuidara de mim por muito tempo, se preocupando, ligando para ver se estava tudo bem, entrando em furadas comigo apenas para ter certeza de que daria tudo certo para mim. Ela odiava astronomia, mas estava sempre em um encontro desses comigo. Ela não suportava aliens e graças a mim e a minha curiosidade irritante, havia se apaixonado por um alien metido, cabeça dura e ainda por cima que já tinha uma companheira.
 
-
 Lua, vem comigo. – pedi. 
- Não posso.
 
A voz de
 Lua era intensa e eu podia sentir a tristeza nela. Ela estava chorando, mas como não queria que eu visse, virou o rosto para o lado enquanto eu tomava sua mão fria. Sempre me partia o coração ver Lua chorando, não era algo que ela fazia sempre e quando fazia, era sinal de que as coisas estavam indo de mal a pior. 
- Você pode, eu posso.
 
- Você é uma mrakni,
 Mel. E o que eu sou? Nada. Eu não posso sair da Terra, minha vida é aqui. – ela ergueu os olhos vermelhos e seu olhar não se fixou em mim. Se fixou mais além. Em uma figura alta, de cabelos de cor indefinida e uma expressão dura na face. – E além do mais, ele não me quereria por lá. É melhor assim. 
- Mas eu não posso ficar sem você.
 
As palavras vieram do fundo do meu coração e pareceram ter ligação com o canal lacrimal de
 Lua, que chorou um pouco mais alto, mas ainda assim não alto o suficiente para atrair a atenção dos aliens mais atrás de nós. 
- Pode sim. Vai ficar tudo bem, para nós duas, eu juro.
 
Ela sorriu e aquele sorriso pareceu estranho em um rosto com tantas lagrimas escorrendo. Minha vontade era apertar ela nos meus braços mais uma vez, mas os policiais do lado de fora gritavam para que destruíssem a barreira e para que nós nos entregássemos.
 
- Temos que ir,
 Mel. – Chay disse segurando a minha outra mão. E colocando uma mão no ombro de Lua, olhou profundamente nos seus olhos e disse alguma coisa para ela pela mente, o que a fez levantar a cabeça para ele e sorrir triste, balançando a cabeça em negativa em seguida. Chay suspirou e fez uma reverencia para Lua, enquanto eu corria para a minha amiga, quase amassando ela com a força esmagadora do meu abraço. 
- Mra T Nhé,
 Lua! – disse com um sorriso e a segurei pelos ombros e vi que ela exibia uma expressão confusa. – O que foi? 
- O que significa “Mra T Nhé”?
 
- Eu amo você. – respondi casualmente enquanto ela continuava com aquela cara de boba. – Tenho que ir. Me deseje sorte. Não se preocupe, darei um jeito de voltar no seu aniversário. Não garanto que vou trazer nenhuma lembrancinha, sabe como é, nunca se sabe se vai ter uma loja de presentes decente em Airamidniv e você tem todo esse bom gosto e...
 
- Vá logo,
 Mel. – ela riu sabendo da minha péssima mania de falar demais quando ficava nervosa e ansiosa. – Vou sentir sua falta. 
Eu me afastei sorrindo, segura pela mão de
 Chay e a nave se aproximou, despejando sobre o espaço aberto da cúpula de proteção um raio de luz azulada, onde eu, Chay e Allie nos abrigamos. 
- Venha
 Arthur! – Chay chamou. 
- Vão primeiro. – ele disse quase rudemente. – Ainda tenho certas coisas para resolver.
 
Cruzei os dedos desejando sorte para a minha amiga e rezando para as estrelas que ela ouvisse pela primeira vez na vida a voz do coração, não a da razão, como ela sempre fazia.
 
Chay me abraçou e eu fechei os olhos enquanto sentia meu corpo suspender do chão, rumo ao meu final feliz.
 

34 comentários:

  1. eu estou adorando o contato imediato, ta, sera que o arthur vai ter um final feliz com a lua, tomara que sim, hoje e comemorada o luarday, parabens pelo dia de hje, se sempre, e sempre seremos luar para sempre.

    ResponderExcluir
  2. Posta mais por favor , estou chorando aqui

    ResponderExcluir
  3. como hoje é LuAr day nos merecemos mais um capitulo =D

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. é isso ai kkk posta ++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++

      Excluir
    2. kkkkkk super apoio!!!!!!!!!!!!

      Excluir
  4. AFF... FALA SERIO HOJE É LuAr Day e vcs postam coisas de chamel ningguem merece.
    mas msm assim parabens ta otimo ah e ve se nao demora tanto pra postar o proximo capitulo!

    ResponderExcluir
  5. Postaa mais a web ta perfeitaa

    ResponderExcluir
  6. Porfavor POSTA MAIS HJ ÉE lUAR DAY!! pORFAVORR EU TO LOUCA PRA LER MAIS...

    ResponderExcluir
  7. Posta mais hj,vc fikou uns dis sem posta entao pra compença posta mais um hj e alem do mais hj e #LuArDay......posta mais pf!!!!!1

    ResponderExcluir
  8. posta mais please eu amo essa web

    ResponderExcluir
  9. posta + hj é luar day nos merecemos mais um e q seja de luar

    ResponderExcluir
  10. hoje é LuAr day merecemos mais um capitulo

    ResponderExcluir
  11. ++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++

    ResponderExcluir
  12. Posta mais hoje por favor alem de ser Luarday a gente merece a genmte sempre ta aqui acompanhando e voce super demora para postar a web mais perfeita do blog posta mais por favor ??

    ResponderExcluir
  13. Posta mais um capitulo hoje PLEASE

    ResponderExcluir
  14. bruna desculpa mas eu vou indicar nenhuma de suas telespectadoras a ler o final na web ela acaba com o arthur dizendo eu te amo, e a lua manda ele ir em bora então ela fica sozinha sofrendo,pois a mel foi embora com chay,pos se recusou a ir em bora com o arthur! a lua diz a seguinte frase vc será mas feliz sem mim,estou te deixando ir por que eu te amo !

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Sério? ou vc acha que vai ser assim?

      Excluir
    2. Serio? O.o isso é um livro??? serio se for assim eu vou morrer!

      Excluir
  15. Posta Mais pf hj é LuAr Day e merecemos mais pff by: @RBROficialSC

    ResponderExcluir
  16. Posta mais pelo amor de Deus
    Serio chorei nesse capitulo...o melhor de todos
    Essa web é tudo de bom

    ResponderExcluir
  17. POSTA MAIS ESSA WEB É TUDO DE BOM,AMO MTO.POSTA MAIS POR FAVOR HJ!

    ResponderExcluir
  18. Posta mais por favor! AH,não quero que está web acabe triste,porque se não eu vou chorar muito! posta mais.Posta 2 por dia :)

    ResponderExcluir
  19. Posta mais mto anciosa aqui,se eu morrer a culpa vai ser sua!

    ResponderExcluir
  20. Ver se posta hoje please

    ResponderExcluir
  21. Posta mais pelo amor de Deus

    ResponderExcluir
  22. Meus Deus , eu não to conseguindo parar de pensar no que vai acontecer , será que o Arthur vai ser capaz de largar a Lua , e mesmo se ele quiser leva-la , a suposta noiva do Arthur é que manda na parada , então como ela vai? Eu preciso de respostas , quero saber se as meninas ficassem ali e não fossem com eles para a nave os policiais pegariam ela? E a Lua ela perde tudo ? o emprego , e além de tudo é quase estuprada !!! como assim produção? preciso saber!!! cade Contato imediato?

    ResponderExcluir
  23. Verdade , concordo com o anônimo , a Lua e a Mel perderam tantas coisas e vai ser muita cara de pau da Mel deixar a Lua sozinha , eu sei que ela ama o Chay e tal , e que ele é o amor da vida dela , mas poxa , ela conhece a Lua a tanto tempo? Tudo que a Lua fez por ela? Tudo que elas viveram? Ela vai largar a Lua na pior , porque afinal a Lua perdeu o emprego , quase foi estrupada , tá apaixonada pelo Arthur que nem da bola para ela , muita sacanagem da Mel , poxa tadinha da Luh . Posta logo , para eu parar de ficar com raiva da Mel , por favor

    ResponderExcluir
  24. Se for acabar assim como a menina falou eu não quero mais ler , você pelo menos poderia fazer uma readaptação , pelo amor de deus

    ResponderExcluir
  25. Amo essa web, mais o ruim é que vc só um capitulo por semana

    ResponderExcluir
  26. Pelo amor de Deus não faz isso comigo,já estou ficando paranóica na frente desse pc esperando por mais um capitulo.Espero que não acabe do jeito que a menina falou.Posta Mais

    ResponderExcluir
  27. AH,não se a web acabar assim eu vou ficar mto revoltada concordo com os anonimos que disseram que tbm vão ficar chateados,porque pocha a lua perdeu TUDO,tudo mesmo e ainda vai perder o arthur pra essa tal de Allie aguada.Sabe,eu sou meio bobinha neste assunto de web,porque sempre quero que todas terminem com o final esperado por tosos.Que todos fiquem juntos e felizes.Sei que nem sempre é possível,mas desta vez faz um favor para mim e para todas as leitoras desta web (vou falar por todas,porque acho que todas que gostam desta web concordam comigo,se não todas pelo menos a maioria)e deixe o arthur ficar com a lua seja neste ou em outro planeta,deixe que eles sejem felizes.E não nos mate de curiosidade,poste mais por favor.Beijos amo sua web!

    ResponderExcluir
  28. POSTA MAIS,CONCORDO COM ESTE ULTIMO ANONIMO.TAMBÉM SOU UM POUCO BOBINHA PRA WEB's.kkkkk faz um favor pra mim,posta mais!

    ResponderExcluir