07/08/2012

"Contato Imediato"

      Capitulo 8
 

                          Oito 

Minhas mãos estavam trêmulas, mas contive-as enquanto fazia um sinal discreto para que a dupla de agentes se sentasse nas confortáveis poltronas na frente da minha mesa. Os dois se dirigiram para a mesma cadeira, tentando sentarem ambos nela ao mesmo tempo. Franzi a testa os achando paspalhos demais para dois agentes e a primeira impressão apenas se reforçou quando a mulher deu um golpe de quadris no homem que a olhou decepcionado, enquanto se sentava na cadeira que restara, cruzando os braços e parecendo emburrado, tal qual uma criança que perdeu o brinquedo para outra maior.
 
A presença de Izzy era bem mais marcante que a de Noah, mas ambos pareciam tão sintonizados juntos que me estranhou a pequena briguinha pela cadeira. Definitivamente eles não pareciam agentes de coisa nenhuma, a não ser que ARE fosse uma grande piada.
 
Dei uma leve inclinada na cadeira e os encarei, esperando que eles começassem as perguntas. Eles pareciam muito estranhos, e eu tinha muito pouco tempo para perder com aquele tipo de pessoas. Na verdade, com tipo de pessoa nenhuma, eu tinha que terminar o meu serviço o mais rápido possível para terminar com aquela historia de zeladora de ETs. E era exatamente por causa desses ETs que aqueles dois estranhos estavam na minha sala, sorrindo para mim, me encarando com uma expressão muito contente para uma interrogação séria como seria de se esperar de uma Agência de Relatório Extraterrestre.
 
Mais alguns minutos sorrindo e me encarando e finalmente fechei o meu semblante na tentativa de fazê-los entender que já poderíamos começar com as perguntas que eles queriam tanto me fazer. Demoraram alguns minutos, mas eles finalmente se tocaram do que havia para fazer e Izzy perguntou se já poderíamos começar com aquilo.
 
Eu só esperava que não precisasse mentir muito, apesar de conseguir enganar meu chefe vez ou outra, eu não era o que poderia se chamar de boa mentirosa, e sob pressão o meu talento como contadora de histórias falsas conseguia ser ainda pior. Mas naquele momento eu precisava saber mentir muito bem. Eram as vidas e seguranças de
 Arthur e Chay que estavam em jogo e com certeza Mel me castraria se por algum motivo eu colocasse ambas as coisas em risco. 
Assenti que já poderíamos começar e a mulher cutucou o homem para que ele continuasse. Noah pigarreou e respirou fundo.
 
- Bem, a... Senhorita... terá que nos responder algumas perguntas, ok?
 
Encarei aqueles dois mais uma vez. Eles não eram agentes. Eram muito estranhos para isso. E atrapalhados demais também. A idiotice deles era tamanha que me fez perguntar o porquê da NASA contratar babacas daquele escalão. Respondi que sim com a cabeça mesmo e me inclinei sobre a mesa, tentando ver aonde aqueles dois iriam chegar. Estavam mais para uma dupla de qualquer novo programa de humor que pudesse estar sendo lançado que para realmente agentes da NASA ou o que quer que fosse. Quem sabe fosse isso, apenas dois comediantes contratados por algum sem o que fazer do meu trabalho que estava se divertindo com a minha expressão. Sim, deveria ter alguma câmera escondida no meu escritório. Estava quase me levantando dizendo que já descobrira a pegadinha quando me passou pela cabeça que ninguém no serviço mandaria uma pegadinha com o assunto de ARE e extraterrestres para mim. Ninguém no jornal sabia disso. Talvez pudesse ter sido
 Mel, mas conhecia minha melhor amiga e sabia que por mais que ela adorasse brincar comigo, ela nunca brincaria com algo tão sério como a ARE. 
Eu sabia que ela também estava com medo de que
 Arthur e Chay fossem pegos, desde que eles entraram na frente do nosso carro quando estávamos voltando para Nova York. 
Por mais que aqueles agentes não pudessem ser levados á serio, com certeza eles estavam ali por um assunto mais sério.
 
- Humm - foi a vez de Izzy - A senhorita foi com a sua amiga
 Mel Fronckowiack até Coney Island esse fim de semana? 
- Sim. Fui.
 
Confirmei, mas não dei maiores detalhes. Eles se cutucaram com os cotovelos, como se pedissem para o outro me analisar. Eles faziam as coisas em sincronia, mas de um jeito muito atrapalhado que era ao mesmo tempo perturbador e engraçado. Eles me lembravam uma dupla de um desenho animado bem famoso que eu costumava assistir quando era mais nova. Se eu não me enganava eles se chamavam Equipe alguma coisa, não me lembrava o quê.
 
Minha mente trabalhava rápido, indecisa se negava o fato de que eu vira ou não a nave espacial. Ou "sonda" como eu sabia que eles descreveriam. Ou se eu contava que estava com os dois aliens que estavam dentro dela e pedia para que os levassem embora. Essa hipótese era bem tentadora. Se eles levassem
 Arthur isso significaria que eu não precisaria mais me preocupar em me render a ele, ou perder a minha paciência. Seria perfeito. Mas eu sabia que se levassem Arthur, levariam Chay também e se levassem Chay era bem provável que desse uma grande confusão, já que a própria Mel iria buscar o seu alien de volta, e ela já havia provado que quando estava determinada, nem toda a equipe da NASA seria capaz de detê-la. 
- Bem, e o que as senhoritas foram fazer lá?
 
Ergui as sobrancelhas de um jeito que
 Arthur costumava fazer, provando que ele estava me influenciando mais do que eu pensava e pedi pra ver os documentos de investigação deles, como eu vira Kate Winslet fazer em um filme certa vez quando estava sendo investigada. Na mesma hora eles me mostraram uma carteira de identidade, com foto e símbolo da ARE mostrando realmente, que por mais idiotas que fossem, eles eram agentes e estavam atrás, realmente, dos nossos aliens, na verdade mais da Mel do que meu. 
- Nós fomos ver o cometa, ou coisa assim, que iria passar na noite de sábado. E vimos quando a sonda caiu. Ficamos muito assustadas e fomos embora.
 
- Sozinhas?
 
A pergunta de Izzy me fez encará-la e assenti com a cabeça, decidindo que era melhor não responder em voz alta. Era mais seguro, já que minha voz sempre falhava miseravelmente quando eu estava mentindo.
 
- Só as duas?
 
Me deu vontade de responder sonora e mal educadamente. “Não, a gente levou os três porquinhos pra fazer companhia, afinal nunca se sabe se vamos precisar de ajuda com a barraca.” Mas pensei bem e não respondi nada, apenas perguntei aos agentes como eles haviam me achado. Afinal, me lembro de não ter deixado nenhum rastro de nossa presença lá.
 
- A sua amiga pagou o posto de gasolina com o cartão de crédito...
 
- ... então rastreamos a conta dele e chegamos até ela. - Noah terminou a frase de Izzy como se eles estivessem habituados a fazer isso. E para mim não existia coisa mais brega que isso.
 
Gêmeos costumam fazer isso, mas apenas quando são crianças quando crescem até eles mesmos percebem que aquilo é brega e idiota. E aqueles dois nem gêmeos eram, era de se esperar que eles soubessem o quão constrangedor aquilo era. Eu teria que dar um basta naquilo logo. Eu não era uma boa mentirosa, e já estava prevendo que as perguntas constrangedoras começariam logo, logo.
 
- Se chegaram até ela, porque estão na minha sala?
 
Noah e Izzy se entreolharam e não souberam o que me responder. Ou então estavam pensando até quanto de verdade poderiam dizer-me.
 
- Fomos à casa de
 Mel... 
- ... e ela não estava lá, por isso voltamos ao posto de gasolina de Coney Island...
 
- ... e pedimos informações sobre a acompanhante da senhorita
 Fronckowiack... 
- ... chegando assim até você.
 
- Que bom.
 
A minha resposta estava repleta de sarcasmo e os dois agentes nem ao menos pareceram percebê-lo em minha voz. Eles eram mais lentos e perturbados do que eu pensava. Minha mente estava dividida entre a loucura daquela dupla e entre
 Arthur. E como sempre, o meu pensamento pendia mais para o lado de Arthur, reprisando como um filme, todas essas últimas horas que passáramos juntos. 
- Temos mais uma pergunta, senhorita
 Blanco. 
- Podem fazer. - disse tirando-me do transe onde eu sentia novamente as sensações malucas e indescritíveis que
 Arthur me fazia sentir com seus olhos chocolates e profundos. 
- A senhorita não viu ninguém perto da sonda ou pedindo carona momentos depois da queda, viu?
 
Engoli em seco e me esforcei para não me mexer desconfortavelmente em minha cadeira. Finalmente eles me colocaram em xeque. E eu tinha que pensar bem antes de responder. Uma resposta errada e eles poderiam pegar
 Arthur e Chay. Por mim, eu bem que queria que Arthur fosse pego pela ARE e torturado para peder aquela maldita pose arrogante e sensual, e eu não sabia dizer ainda se era mais arrogante que sensual ou o quê. Mas havia Mel e o tanto que seus olhos brilhavam ao ver Chay. Nunca vira minha amiga tão contente quanto naquela manhã, prestes a me contar como fora a sua noite. 
E eu, como a melhor amiga dela, não tinha o direito de tirar aquele sorriso de seu rosto. Devia de todas as formas possíveis me esforçar para mentir o melhor possível e enganar os agentes. Sim, eu sabia que aquilo era crime. Mas eu não dava a mínima se isso fosse para ajudar
 Mel. Era o tipo de coisa que eu sabia que ela faria por mim se fosse o contrário. 
- Não. Deveria ter visto?
 
Sim, eu estava indo bem. Olhando para algumas pilhas de papel mal organizadas, tentando colocá-las em ordem enquanto falava.
 
- Não! Claro que não! - riram enquanto falavam em unissono. - Mas..
 
- Não viu nenhum carro, pessoa ou algo do tipo?
 
- Além do frentista do posto, queremos dizer.
 
Perguntaram Izzy e Noah respectivamente enquanto me encaravam à espera de uma resposta.
 
- Não, não vi. Desculpem-me.
 
Levantei-me de minha cadeira para dar a entender que gostaria que eles se fossem, mas eles continuaram no mesmo lugar. Passaram-se vários minutos em silêncio até que Izzy se levantasse puxando Noah consigo, como se soubesse que o rapaz demoraria algum tempo para se levantar por conta própria.
 
- Agradecemos a atenção, senhorita
 Blanco. - acompanhei os dois até a porta e quando ela já estava aberta, a ruiva entregou um cartão da ARE contendo o seu nome, gesto que foi prontamente repetido por Noah. - se lembrar de algo, ligue-nos. 
- Podem deixar. Mas acho estranho perderem tanto tempo com uma simples sonda. Parece até que procuram homenzinhos verdes.
 
Minhas palavras mexeram com os agentes que se entreolharam tensos. Eu sabia! Eles estavam procurando por
 Arthur e Chay. E eu não deixaria que eles nem chegassem perto dos meus garotos. Droga, eu tinha que parar de usar o pronome possessivo ao lidar com Arthur. Com Chay poderia ser até aceitável, levando em consideração que ele seria quase meu cunhado. 
- Homenzinhos verdes? Céus! Que Idéia! - riram fazendo um barulho estranho que mostrou o quão assustadores e idiotas eles eram.
 Mel tinha uma risada estranha, mas a deles conseguira ganhar. 
- Não me parece absurda. - sorri enquanto caminhava para minha mesa e eles entravam novamente, fechando a porta atrás deles com uma expressão intrigada. Minha mãe deveria ter me colocado num acampamento de manipulação de mentes, não no Escoteiras do Amanhã. Teria sido bem mais valioso. - Além do mais, caçar aliens é o que se espera de uma agência de relatório extraterrestre.
 
A cada instante os dois pareciam mais nervosos. Noah até mesmo tropeçou no tapete de entrada, sem tirar os olhos da sua parceira, como se esperando um comando do que fazer. Izzy jogou o cabelo quase cor de rosa para trás, mostrando o quanto estava incomodada com a mudança da situação. E eu estava gostando da forma como eu estava conduzindo as coisas.
 
- Não se preocupem. Sei ser discreta sobre o que me contarem.
 
Meu coração batia aceleradamente enquanto eu tentava fingir que estava tudo bem. Eu tivera uma ideia. E dessa vez, uma das boas. Com meus talentos jornalísticos, tentaria sondar o possivel sobre aquela investigação. E assim que eles fossem embora, tentaria tirar
 Arthur e Chay de Nova York. Se estavam investigando extraterrestres, algo que assustava tanto a nós terraquos, com certeza existiam mais que dois agentes patetas. A CIA não era burra e todos tínhamos provas disso. E com certeza os outros agentes poderiam fazer coisas nada boazinhas com Arthur e Chay. Minha cabeça estava prestes a soltar fumaça enquanto eu pensava em um plano para tirá-los de Nova York e levá-los para Wyoming o mais rápido possível. Eu queria me livrar daquela encrenca. Ou melhor dizendo, eu queria me livrar de Arthur e de seu poder estranho e avassalador sobre mim. 
Izzy encarou Noah como se perguntasse até que ponto era seguro confiar em mim. Noah assentiu e começaram o relato, com um pouco de receio pesando nas palavras:
 
- Pensamos que aquilo não seja simplesmente uma sonda e sim uma nave que trouxe alguém para o nosso planeta.
 
- Alguém? Por que não dizer "algo"? - desconversei. Se desse outras pistas falsas para eles procurarem, quem sabe eles deixassem os “meus” aliens em paz.
 
- Porque pensamos que esses seres sejam humanóides. - disse Noah - O que facilitaria para eles se esconderem no nosso planeta.
 
- Ou serem escondidos. - completou Izzy - Nunca se sabe se algum terráqueo o está ajudando.
 
Reparando nas palavras dos dois, percebi que eles procuravam apenas um extraterrestre. O que poderia facilitar a tarefa que eu e
 Mel tinhamos: escondê-los. Se eles estivessem procurando apenas por um extraterrestre seria bem mais fácil levá-los para Wyoming. Eles procurariam em carros com apenas dois passageiros, não quatro. Sim, meu plano poderia funcionar. 
- Quem poderia fazer isso?
 
Meu Deus, como eu era cínica.
 
- É o que tentamos descobrir. - responderam juntos.
 
- Parece que acharam algo realmente importante sobre isso. - Sim, cínica demais.
 
- Sim. Pegadas no local. Elas foram coletadas e levadas para análise.
 
- Teremos as respostas amanhã.
 
Amanhã? Deus! Teria que tirá-los de Nova York nessa mesma noite ou a ARE os encontraria. Minhas pegadas e de
 Mel estavam no local, não seria difícil deduzir que eu mentira e que estávamos escondendo aliens. E assim que descobrissem-nos, descobririam Arthur e Chay, levando-os sabe-se lá para onde. Mas algum lugar muito ruim, disso eu tinha certeza. Eu já tinha assistido muitos filmes de ficção cientifica e me lembrava do quanto os humanos poderiam ser cruéis e torturadores quando em relação ao que não conheciam. 
- Temos que ir...
 
- ... Já falamos demais.
 
Eu levantei-me e estendi a mão para eles agradecendo pelas informações preciosas que eles haviam me dado. A tensão corria pelas minhas veias no lugar de sangue e eu tive vontade de pegar o telefone naquele momento e ligar para
 Mel perguntando se ela e Chay estavam bem. Sim, eu até poderia perguntar se Arthur estava bem. 
- Certo. Obrigada por compartilhar essas informações.
 
- Sem problemas. Mas esperamos que as mantenha em sigilo. Como jornalista pode usar isso em beneficio próprio e essas informações pertencem à CIA.
 
- Tudo sob controle. - garanti a Izzy - Essas informações não sairão daqui. Até mesmo por que, quem na cidade de Nova York acreditaria nessa história, não é? - eu ri, dando uma pausa e brinquei, na verdade mais falando a verdade em tom de brincadeira. - Um ET em Nova York? Se eu digo isso para alguém, as pessoas me chamam de louca.
 
Rimos e mais uma vez abri a porta para os agentes que saíram sorrindo e acenando para mim até desaparecerem no corredor mais a frente. Assim que tive certeza de que eles tinham partido, me encostei na mesma, respirando profundamente tentando acalmar a tensão dentro de mim e a fúria de meus pensamentos que se misturavam mas levavam todos ao mesmo fim: proteger
 Arthur e Chay. 
Por
 Mel. 
E por mais que me doesse admitir, por mim mesma. Afinal, eu não podia deixar que ferissem
 Arthur. Ele podia ser um idiota, um arrogante e um metido de merda, mas mesmo assim eu me sentia bem demais quando aquelas orbes chocolates estavam sobre mim me relaxando ou tocando o fogo do inferno no meu corpo. 
Eu protegeria
 Arthur, Chay e cuidaria de Mel. 
Ou eu não me chamava
 Lua Rachel Blanco. 
Assim que pude ouvir meu coração batendo mais devagar, voltei ao meu lugar, terminando de revisar mais de cinco matérias em oito míseros minutos para poder ir para a sala do meu chefe correndo e fazer um pedido que ele com certeza não atenderia, mas era exatamente por isso que eu tinha um trunfo contra o seu tão certo “não.
 
Bati à porta de sua sala e ele me mandou entrar, apontando uma cadeira no canto enquanto discutia com alguém no telefone. Meio com medo, cruzei minhas pernas e fiquei encarando os porta retratos e pequenos calendários de mesa que haviam em cima da mesa. Meu olhar parou no pequeno porquinho de louça que estava cheio de moedas e que eu era morta de vontade de quebrar.
 
- Então, o que você quer,
 Blanco? 
Eu dei o meu melhor sorriso antes de responder e vi meu chefe não desfazer nem um milímetro de sua carranca, me obrigando a começar o meu pedido.
 
- Bem, você sabe que a minha avó mora em Wyoming, não sabe?
 
- Não, nem estou interessado na sua velha e idosa avó. Vamos logo ao assunto,
 Blanco, eu não tenho tempo. 
- Ok, ok. - eu ergui os braços, rendida. - Minha avó está doente, e eu preciso ir visitá-la.
 
- Não.
 
- Mas...
 
- Não,
 Lua. É simples. Você é a nossa melhor redatora e temos apenas você e Loren trabalhando nesses dias, já que o resto do pessoal está tirando férias, então não posso simplesmente deixar você ir para o fim do mundo e me deixar na mão. 
- E é aí que eu conto o meu plano secreto para você me deixar ir.
 
- Se tiver a ver com um strip tease, pode esquecer. Você está muito abaixo do peso.
 
Ergui minhas sobrancelhas prestes a rir da resposta dele. Eu não estava abaixo do peso, mas para ele, eu realmente estava. A mulher dele tinha uns 100 quilos, sem brincadeira.
 
- Não, nada sexual, eu prometo. Bem, e se eu prometer voltar na sexta e trabalhar no feriado de Ação de Graças, fazer hora extra em todos os dias até o natal e dependendo do fluxo de serviço, no natal também?
 
- Então você pode sair da minha sala e ir visitar a sua tão pobre avozinha e mandar as considerações de todo o jornal, em meu nome.
 
Meu chefe era um grande filho da puta escravista, essa era a verdade. Não tinha palavra que ele gostava mais que dinheiro e hora extra. E quando essa palavra vinha de mim, era quase uma dádiva para ele.
 
Dei um pulo da cadeira, abraçando-o e sai da sala, mandando beijocas para ele e no caminho para a saída já passando em minha sala, puxando a minha bolsa e meu casaco da cadeira e entrando correndo no elevador.
 
Para o meu chefe eu iria resolver problemas pessoais, mas mal sabia ele que, na verdade, os problemas eram espaciais mesmo.
 
Minha cabeça estava girando de preocupação com
 Mel e os outros e me segurei para não pegar o trem para o Brooklyn de uma vez e socá-los dentro do pequeno carro de Mel, indo sem dinheiro e nem nada para Wyoming. 
Mas graças a Deus, eu conseguia ser bem racional mesmo estando tão nervosa. Passei no banco antes de partir e apanhei dinheiro suficiente para a viagem. Não poderíamos mais nos meter com cartões de crédito sob hipótese alguma. Haviam nos descoberto pelo cartão de
 Mel e eu não deixaria que isso acontecesse novamente. 
Apanhei um jornal em uma das bancas no caminho para o metrô e prestei atenção na previsão do tempo atenta a alertas de nevascas que pudessem atrasar a nossa viagem. Mas nada disso estava estampado nas paginas do Times, o que me fez ficar relaxada e entender aquilo como uma previsão de que daria tudo certo.
 
Eu queria pensar positivo daquela vez.
 
Eu conseguiria tirar
 Chay e Arthur do meu planeta e teria a minha vida de volta ao normal, como eu queria. 
Ok, eu não queria tanto assim. Eu sabia que
 Arthur estava mexendo demais comigo e eu queria evitar que aquilo fosse mais alem do que já estava indo. Ele era apenas um alien arrogante. Não deveria ter muito de minha atenção. E parecia que eu não estava ouvindo a mim mesma, já que estava dando toda a atenção possível a ele. 
Parei para pensar em
 Mel e no quanto ela já estava envolvida com Chay. Mel era do tipo que se apegava fácil às pessoas e com certeza não seria nada fácil para ela deixar Chay quando chegássemos a Wyoming. 
Mas dessa vez ela não teria razão. Da primeira vez ela o tivera, dissera que aquilo era só o começo, o que realmente fora apenas o começo daquela aventura desvairada.
 
Eu estava errada daquela vez e queria estar errada dessa vez também ao pensar que o fim seria doloroso demais para que eu e minha melhor amiga pudéssemos suportar.
 
Eu realmente desejava estar errada. Para o nosso próprio bem.
 



                                                                                                            Direitos Autoriais: Elle S.

2 comentários:

  1. posta mais,super curiosa

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  2. posta mais por favor estou amando muito está web!

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